- Maurílio Biagi Filho, 83 anos, atua como presidente de honra da Agrishow e participa da feira diariamente.
- A 31ª Agrishow ocorreu entre 27 de abril e 1º de maio em Ribeirão Preto, com R$ 11,4 bilhões em intenções de negócio, ante uma queda de 22% em relação a 2025.
- A feira é organizada por entidades do setor, como a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e a Sociedade Rural Brasileira (SRB); Biagi cita Ney Bittencourt e Roberto Rodrigues entre os nomes que ajudaram a moldar o evento.
- Biagi Filho avalia o cenário do agronegócio como uma “tempestade perfeita” de conjuntura, ideologia e custos, destacando que desmoronamentos ocorram rapidamente, mesmo sem o peso de décadas de construção institucional.
- O ex-presidente da Agrishow em 2012–2013 lembra marcos do período, como o Prêmio Brasil Agrociência e a concessão de área pelo governo paulista por trinta anos; ele não pretende retornar ao cargo executivo por idade, mas planeja continuar contribuindo com a feira.
Maurílio Biagi Filho, 83 anos, atua como presidente de honra da Agrishow, a maior feira agrícola da América Latina. Nesta sexta-feira, 1º de maio, último dia da 31ª edição, ele abriu o estúdio da Rádio Agrishow para comentar o ritmo das ruas do parque em Ribeirão Preto, com destaque para ações nos estandes e curiosidades da multidão.
Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, ele revelou que iria além do conteúdo leve do dia a dia da feira, destacando a função de honra e o compromisso com a memória de quem ajudou a construir o evento. Ao final da coletiva, João Carlos Marchesan o apresentou como o “cara” da Agrishow e agradeceu pela parceria até 2027.
Realizada desde 1994, a Agrishow é organizada por entidades do setor, como Abimaq, OCB e SRB. Nesta edição, que começou em 27 de abril, foram anunciados R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios, queda de 22% em relação a 2025, indicador que sinaliza o cenário desafiador do agro.
Trajetória e legado
Biagi Filho nasceu em Ribeirão Preto e vem de uma dinastia ligada ao setor sucroenergético. Começou na Usina Santa Elisa, em Sertãozinho, em 1956, e, após assumir o grupo em 1978, ampliou a produção e a atuação da empresa. Hoje lidera um holding familiar com participação em imóveis, agronegócio e startups.
Entre as referências citadas pelo presidente de honra, Ney Bittencourt aparece como mentor da ideia original da feira, que, na prática, moldou o conceito de agronegócio. Roberto Rodrigues, ex-ministro, também é citado como figura-chave na consolidação da Agrishow ao longo das edições.
Biagi Filho destaca ainda a importância de decisões de longo prazo para o setor, lembrando que, na trajetória, foram cruciais projetos como o Proálcool e a criação de parcerias com a iniciativa privada. Em 2012 e 2013, ele presidiu a feira, marcando marcos como o Prêmio Brasil Agrociência e a concessão de área pelo Governo de SP por 30 anos.
Desafios e perspectivas
O dirigente aponta que o atual momento do agronegócio envolve uma “tempestade perfeita” de preço de insumos, juros altos e volatilidade de mercados, com impactos gerais no desempenho da feira. Ele afirma não ver crises pontuais, mas um cenário conjuntural e ideológico que pode acelerar desdobramentos no setor.
Biagi Filho ressalta que o país construiu uma base institucional sólida ao longo de décadas, comparando a capacidade de criação de estruturas como a Embrapa com o risco de desmoronar rapidamente frente a mudanças amplas. O foco dele é manter o legado ativo, sem ocupar cargo executivo na gestão atual.
A cada edição, o objetivo de Biagi Filho é preservar a memória de pioneiros do setor, apoiar as decisões de quem hoje comanda a Agrishow e manter a feira como polo de inovação para o agronegócio. Ele confirma participação diária no pulso da organização, sem envolvimento em votações oficiais.
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