- Jeffrey Cesari, ex-auditor de 31 anos, planeja lançar o latte de inhame roxo “Ube Signature Paris” até o final de junho, buscando fornecimento em Bohol, nas Filipinas, após enfrentar dificuldades para encontrar o tubérculo.
- A busca global pelo ube ganhou força nas redes sociais, tornando o tubérculo mais difícil de obter do que ingredientes para bebidas e doces.
- O ube é visto como possível substituto do matcha, mas as cadeias de suprimentos são pouco desenvolvidas e variam entre Baligonhon, Sampero e Kinampay, com diferentes formatos (pó, extrato, geleia).
- O governo filipino, junto a universidades, tenta ampliar a produção e exportação, por meio do projeto Bohol Ube; ainda assim a produção nacional caiu 6,7% em 2025 por falta de incentivos aos agricultores.
- O aumento de demanda, aliado a conflitos globais, elevou custos de energia, levando o preço do inhame roxo cru a 90 pesos por kg e pressionando produtores locais que enfrentam dificuldades para vender diretamente aos mercados externos.
Nova comida favorita da internet: entenda a busca global pelo inhame roxo (ube)
Jeffrey Cesari, ex-auditor parisiense de 31 anos, decidiu apostar no inhame roxo após provar um latte com ube em Istambul. A ideia era oferecer uma bebida semelhante em Paris, unindo curiosidade global e curiosidade local.
A popularidade do ube não para de crescer. Dados de mercado indicam que a tonalidade violeta tomou as redes sociais, impulsionando bebidas, bolos e outros doces ao redor do mundo. Ainda assim, o tubérculo em si segue difícil de encontrar.
Cesari vasculhou grupos online e buscou orientação, mas enfrentou dúvidas sobre variedades, formatos e procedência. O desafio principal é obter ube de alta qualidade com rastreabilidade confiável.
Para avançar, o empreendedor viajou às Filipinas, visitando padarias, atacadistas e agricultores, tentando entender cadeias de suprimentos e possibilidades de contato direto. A transparência dos produtores foi um ponto crítico.
Uma rede de produtores na ilha de Bohol ficou interessada em fornecer a partir de 10 kg mensais, segundo Cesari. A ideia é lançar, até o final de junho, a mistura Ube Signature Paris, um latte de inhame roxo com leite.
O novo matcha: por que o ube ganhou espaço
O ube já era conhecido entre comunidades filipinas, mas vem sendo apontado como futuro substituto do matcha. O aumento da procura global, impulsionado pela escassez de matcha, ajudou a popularizar o sabor violeta.
Empresas internacionais passaram a investir no ube, incluindo marcas de sorvete, xaropes e bebidas. A Starbucks lançou um macchiato gelado de coco com ube, citando preferência de clientes, e Costa Coffee também expandiu com novos sabores.
Pesquisas de mercado indicam que 27% dos americanos sabem o que é ube, crescimento relevante frente a anos anteriores. Contudo, o ube ainda aparece em menos de 2% dos cardápios dos EUA.
Origem e cadeia de suprimentos
As exportações filipinas cresceram, superando US$ 3 milhões em 2025, com aumento de 20% ante 2024. O governo busca ampliar a produção para EUA, Reino Unido e Oriente Médio, mas há entraves: produção caiu 6,7% em 2025 e faltam incentivos aos agricultores.
A distância entre agricultores e mercados dificulta a expansão. Organizações locais tentam conectar produtores a compradores internacionais, incluindo contratos estáveis para evitar oscilações de preço.
Desafios locais e impactos
Estresses na cadeia de suprimentos atingem até o consumo doméstico. O aumento do preço do gás para irrigação elevou o custo do inhame roxo cru, com impacto nos agricultores. Em cidades filipinas, a demanda por ube cresceu, pressionando estoques locais.
A produção enfrenta barreiras: geração jovem pode abandonar a prática, e a oferta de sementes permanece restrita. Em alguns casos, há atraso de pagamento e dificuldade de alcançar mercados promissores.
Conclusões
A ascensão global do inhame roxo revela uma rede de fatores: inovação em cafeterias, pressões de custo de energia, e a necessidade de ligações mais diretas entre produtores filipinos e consumidores internacionais. O futuro do ube depende de cadeias de suprimento mais transparentes e sustentáveis.
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