- Jornal Financial Times mostra empresas dos Estados Unidos que usam bolsas lacradas para celulares durante o expediente para reduzir distrações e proteger informações sensíveis; os aparelhos ficam guardados em sacos com abertura apenas em estações magnéticas, liberando o uso apenas nos intervalos.
- A fabricante Yondr aponta que clientes vão desde tribunais e agências governamentais até organizações com propriedade intelectual sensível; a empresa afirma que muitos adotam o sistema após tentativas de confiar apenas em regras internas.
- Em entrevista, relatos indicam efeitos positivos em interação entre colegas, mas houve resistência inicial e violações frequentes nos primeiros meses; hoje, a maioria admite menos problemas com a regra.
- Especialistas dizem que o impacto na produtividade não é consenso: pode aumentar em tarefas simples, mas não necessariamente em atividades que exigem criatividade e autonomia, variando conforme o tipo de trabalho.
- No Brasil, o uso pode ser limitado por poder diretivo do empregador, desde que não haja invasão de privacidade; restrições podem valer em atividades com riscos, dados sensíveis ou sigilo profissional, com regras claras e exceções para emergências.
Empresas nos EUA lacram celulares de funcionários para evitar distrações e proteger informações sensíveis, em prática descrita pelo Financial Times. Bolsas lacradas permanecem com o trabalhador e só podem ser abertas em estações magnéticas, durante o expediente. A política permite chamadas ou notificações durante pausas.
A ID.me adotou o sistema há cerca de três anos para aproximadamente 290 funcionários. Os dispositivos ficam dentro de sacos que ficam com o empregado o tempo todo. Duas motivações citadas são evitar vazamentos de dados e aumentar a produtividade reduzindo interrupções. A Yondr fabrica as bolsas e atende tribunais, agências governamentais e empresas com propriedade intelectual sensível.
A discussão ganhou apoio de executivos. O CEO da Yondr afirma que muitas organizações já tentaram regras internas, mas buscam uma política mais efetiva. O JPMorgan Chase já criticou o uso constante de celulares em reuniões, descrevendo como desrespeitoso e prejudicial à produtividade. Alguns funcionários relatam benefícios, como menos pausas para checar o celular e maior interação entre colegas.
Adoção de bolsas lacradas ainda enfrentou resistência inicial. Em ID.me, as primeiras semanas registraram violações frequentes, mas o cenário mudou com o tempo. Atualmente, o nível de descumprimento é muito baixo, segundo a empresa, que descreve ganhos de foco entre equipes.
Efeitos na produtividade
Especialistas divergem sobre os impactos. Pesquisas indicam ganho de produtividade em tarefas simples, mas possível queda em atividades que exigem criatividade. Resultados variam conforme o tipo de trabalho e o contexto organizacional. Em alguns casos, a liberação de celulares após tentativa de restrição pode manter a produtividade.
Como funciona no Brasil
No Brasil, a restrição ao uso de celulares pode ocorrer, desde que observadas regras legais. O poder diretivo permite organizar e fiscalizar atividades, sobretudo em funções de risco, proteção de dados ou sigilo profissional. A fiscalização deve ser proporcional e não violar privacidade, intimidade ou dignidade.
Em contratos ou regulamentos internos, empresas podem estabelecer limitações, com exceções para emergências ou intervalos. O descumprimento pode gerar advertência, suspensão ou demissão por justa causa, conforme avaliação institucional e a gravidade do caso.
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