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Maioria das empresas listadas desde 2016 vale menos que no IPO

Maioria das empresas que abriram capital desde 2016 vale menos que o preço do IPO; apenas 16 têm desempenho positivo e cinco superam o Ibovespa

Funcionário em centro de operações da Comgás em SP; empresa é parte da Compass, que prepara IPO
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  • Das 92 companhias que fizeram IPO na Bolsa brasileira desde 2016, 20 deixaram o mercado e 72 ainda estão listadas.
  • Apenas 16 dessas 72 ações registraram valorização em relação ao preço do IPO até 24 de abril.
  • Cinco empresas superaram o Ibovespa no período.
  • O levantamento destaca que varejo e tecnologia concentraram quase 35% dos IPOs, com motivos variados para os desempenhos diferentes.
  • Analistas ressaltam a necessidade de avaliação cuidadosa antes de investir em ofertas, especialmente em momentos de euforia, e destacam que muitos IPOs podem ter tido retornos mediano a negativos no primeiros anos.

O cenário recente das companhias que abriram capital na B3 desde 2016 apresenta números relevantes para investidores. Das 92 IPOs realizadas, 20 deixaram o mercado, restando 72 empresas listadas. Entre elas, apenas 16 registram desempenho positivo em relação ao preço do IPO até 24 de abril, e apenas 5 superaram o Ibovespa no período.

O levantamento é da Seneca Evercore, assessoria especializada em fusões e operações de mercado de capitais. Os dados indicam que 56 das 72 empresas atuais valem menos ou igual ao preço de emissão, o que chama a atenção para o risco de apostas amplas nesse tipo de operação, mesmo em um contexto de avanço da bolsa em 2026.

A explicação passa por diversos setores, com varejo e tecnologia respondendo por cerca de 35% dos IPOs. Segundo a análise, fatores como ciclo econômico, projeções de crescimento e uso de capital influenciam o retorno das ações nos primeiros anos e ajudam a entender probabilidades de perda.

Desempenho e dinâmicas de mercado

Entre os 92 listados desde 2016, 25% tiveram retorno positivo no primeiro ano após o IPO. Os demais mostraram desempenho mediano negativo, com queda expressiva nos 25% piores. Mesmo em horizontes mais longos, o retrato não é uniforme, exigindo avaliação cuidadosa de cada caso.

Especialistas destacam que o ambiente de juros elevados, iniciado nos últimos anos, amplia o custo de capital e pode afetar o desempenho de empresas que captaram recursos na janela de juros mais baixos. A renda fixa passou a oferecer atratividade competitiva em muitos cenários.

Para Rodrigo Mello, sócio-fundador da Seneca Evercore, o fato de 56 das 72 companhias atuais terem valor abaixo do preço de IPO é surpreendente, ainda mais diante da alta da bolsa e da entrada de recursos estrangeiros expressivos no período. Ele observa que, ao longo do tempo, alguns investidores poderiam ter obtido ganhos em outros ativos.

O analista aponta que nem todo prejuízo significa perda definitiva, já que muitos participaram de negociações que permitiram vender ações com lucros ou perdas parciais ao longo do caminho. Ainda assim, o cenário reforça a necessidade de avaliação criteriosa antes de emitir ou investir em ofertas.

Pedro Moura, da Reach Capital, ressalta que a combinação de fatores como reversão de ciclos, perspectivas de crescimento superestimadas e planos de investimento pouco remuneradores pode comprometer o sucesso de um IPO. A avaliação deve ser circunstancial, de acordo com o momento e o perfil de risco do investidor.

Perspectivas para novas aberturas

Entre as empresas que avaliam abrir capital, a Compass Gás e Energia, ligada ao grupo Cosan, tem plano recente de listagem. A oferta está prevista para 893 milhões de ações, com preço final esperado para ser anunciado em 7 de maio, em um ambiente de cautela diante de volatilidade e inflação.

Especialistas destacam que o investidor deve examinar premissas e motivos da abertura de capital, além de considerar se o projeto e o valor da companhia se alinham ao apetite de risco individual. Evitar decisões movidas pela euforia é enfatizado como prática prudente.

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