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Queda da Selic não surpreendeu o mercado, mas poderia ter sido maior

Redução da Selic para 14,5% não surpreende; inflação sobe, crédito avança e política fiscal e monetária desencontradas ampliam volatilidade

Foto do autor Luís Eduardo Assis
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  • A Selic caiu para 14,5% e não surpreendeu, mesmo com novidades no cenário externo.
  • A inflação esperada para 2026 subiu de 3,9% para 4,9%, e a projeção para 2027 também aumentou, indicando risco de alta diante de conflitos internacionais.
  • O saldo de crédito no Sistema Financeiro Nacional passou de mais de 7 trilhões de reais em março, com crédito a famílias em 4,5 trilhões de reais e comprometimento de renda em 29,7%, recorde da série.
  • Bancos federais lideraram a expansão de crédito nos últimos dois anos: Caixa teve alta de 23% e Banco do Brasil, 26%, versus 8,3% do Bradesco.
  • O Banco Central já estimulou crédito ao reduzir o depósito compulsório das cadernetas de poupança em outubro de 2025 e avaliou uso do compulsório para recapitalizar o FGC, prática que complica o efeito pretendido pelos juros altos.

A taxa Selic caiu para 14,5% e não surpreendeu o mercado, apesar de o cenário recente ter mudado rapidamente. A inflação global ficou menos previsível com o agravamento de conflitos e a leitura sobre o Brasil passou a depender menos de pressões domésticas, e mais de indicadores internacionais.

Economia brasileira enfrenta uma combinação de fatores que afetam a política monetária. A inflação projetada para 2026 subiu de 3,9% para 4,9% e a estimativa para 2027 também ganhou alta, em meio a incertezas sobre o desfecho de conflitos externos. O Banco Central tem que responder a essas mudanças com cautela.

A política fiscal, pela leitura de analistas, continua sendo um complicador. O governo aparece como instrumento que pode ampliar pressões inflacionárias, ainda que o mecanismo de transmissão da Selic seja complexo e demore a se processar. A defasagem entre alta de juros e impacto na inflação é tema frequente de debate.

No fronto do crédito, o crescimento não acompanhou a queda dos juros. Em março, o total de empréstimos no Sistema Financeiro Nacional superou 7 trilhões de reais, com avanço de 9,6% em 12 meses. O crédito às famílias cresceu 10,9%, elevando o comprometimento de renda a 29,7%, nível recorde.

As carteiras de crédito federais impulsionam esse movimento. Caixa e Banco do Brasil registraram crescimentos de 23% e 26% respectivamente entre 2024 e 2025, contrastando com 8,3% de expansão do Bradesco. Bancos públicos atuam para compensar efeitos da política monetária restritiva.

Contexto institucional e incentivos ao crédito

Bancos federais também ganharam espaço ao reduzir o depósito compulsório de caderneta de poupança em outubro de 2025, medida que estimulou a expansão de crédito. Recentemente, houve ainda discussão sobre o uso do compulsório para recapitalizar o FGC, o que reforça o viés expansionista no crédito.

Em síntese, a queda da Selic não veio em meio a uma inflação sob controle. O cenário atual envolve inflação em recuperação, política fiscal considerada permissiva por alguns analistas e um setor financeiro que amplia o crédito para sustentar o crescimento, mesmo com juros mais baixos.

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