- Agrishow 2026 encerrou com R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios, queda de 22% em relação a 2025, e recebeu 197 mil visitantes em cinco dias.
- A feira manteve-se como principal vitrine do agronegócio da América Latina, consolidando debates sobre crédito, transformação digital, agricultura familiar e o cenário eleitoral de 2026.
- No campo político, houve presença de oposicionistas e figuras da direita; Lula não participou, enquanto o governo de São Paulo anunciou investimentos de R$ 455 milhões em sustentabilidade e R$ 10 bilhões para modernização da frota e logística.
- O Move Brasil 2 foi anunciado federalmente, com R$ 21,2 bilhões em crédito para ônibus e caminhões; R$ 2 bilhões destinam-se a caminhoneiros autônomos, porém o impacto nas vendas deve ser gradual.
- Destaques tecnológicos incluíram robôs autônomos Solix XT/XC (Solinftec), trator MF 9S com direção autônoma, retrofit da Fendt, além de drones e mapeamento inteligente da DJI Agriculture; a agricultura familiar manteve relevância, respondendo por 77% dos estabelecimentos rurais.
A Agrishow 2026 terminou em Ribeirão Preto (SP) com 11,4 bilhões de reais em intenção de negócios nos setores de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem. O valor representa queda de 22% frente a 2025, em uma edição que reuniu 197 mil visitantes ao longo de cinco dias, entre 27 de abril e 1º de maio.
O evento manteve-se como principal vitrine do agronegócio latino-americano e consolidou-se como espaço estratégico para debates sobre crédito, transformação digital e articulações políticas de 2026. O tema foi A força de nossas raízes, elevando o papel do setor na economia brasileira.
A presidente da Agrishow, citado pela organização, destacou a resiliência do setor diante de dificuldades econômicas. Mesmo em cenário desfavorável, investidores continuam direcionando recursos para tecnologia e melhoria de produtividade, com expectativa de recuperação gradual.
Protagonismo político e econômico
Na arena política, lideranças da oposição e da direita marcaram presença, entre elas o senador Flávio Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. A participação reforçou o alinhamento entre parte do agronegócio e segmentos conservadores, enquanto o presidente Lula ausentou-se da abertura. O vice-presidente Geraldo Alckmin representou oficialmente o Executivo.
O governo de São Paulo anunciou investimentos de 455 milhões de reais em sustentabilidade, competitividade e infraestrutura, além de 10 bilhões para modernização da frota e logística, fortalecendo o papel estadual no setor.
Inovação tecnológica e indústria
Durante a feira, o Move Brasil 2 foi apresentado com 21,2 bilhões de reais em crédito para ônibus e caminhões, com parte destinada a caminhoneiros autônomos. Analistas avaliam que o impacto nas vendas deverá ser gradual, diante de juros elevados e spreads bancários ainda desfavoráveis.
Dados da Abimaq mostraram aumento de 1,2% no consumo de máquinas em março de 2026, frente a igual mês de 2025, e recorde de importação de 3,1 bilhões de dólares no trimestre. O setor registrou alta de 21,4% nas importações em março, impulsionadas por componentes para petróleo, e crescimento de 4,2% no primeiro trimestre em máquinas rodoviárias e de armazenamento.
A agricultura familiar ganhou destaque com 77% dos estabelecimentos rurais do país, 3,9 milhões de propriedades, 10,1 milhões de trabalhadores e 23% do Valor Bruto da Produção. Tecnologias voltadas ao pequeno produtor, como silos compactos e plataformas de gestão, foram apresentadas para ampliar a eficiência.
No eixo tecnológico, soluções em IA, robótica e automação dominaram os lançamentos. Entre os destaques estiveram robôs autônomos Solix XT e XC (Solinftec), com autonomia de até 70 horas e cobertura de até 1.000 hectares; MF 9S (Massey Ferguson) com até 425 cv e direção autônoma; retrofit de automação da Fendt; drones e mapeamento da DJI Agriculture.
A Agrishow 2026 evidenciou a transformação digital no campo, com avanços que promovem maior sustentabilidade, redução de custos e ganho de produtividade. O evento reforçou o papel do agronegócio brasileiro como polo de inovação e influência econômica.
A edição encerrou destacando o papel do agronegócio na economia brasileira e sua capacidade de integrar tecnologia, crédito e produção em um ecossistema alinhado a políticas públicas e ao mercado global. O conteúdo completo reforça o peso do setor na agenda econômica do país.
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