Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Banco Central não conseguiu frear o Banco Master

BC reagiu tarde a 25 alertas do Master, enquanto Vorcaro ampliava captações com o FGC e agravava risco de liquidez e governança

Belline (à esq.) e Souza: supostamente cooptados no BC por Vorcaro — Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
0:00
Carregando...
0:00
  • O Departamento de Supervisão do Banco Central enviou pelo menos vinte e cinco ofícios ao Banco Master entre 2021 e 2024 para corrigir fragilidades de capital, riscos de crédito e informações sobre investimentos em precatórios e fundos da Reag.
  • Em 2024, diante de liquidez externação, Daniel Vorcaro ampliou as captações apoiadas pelo Fundo Garantidor de Crédito, de R$ 30 bilhões para R$ 60 bilhões, aumentando o risco.
  • O BC identificou três momentos críticos em 2024 em que poderia ter atuado com mais rigor: março (fragilidade de liquidez), maio (deficiência de capital de cerca de R$ 885 milhões) e novembro (plano de equacionar problemas).
  • Ainda em 2024 e 2025, surgiram dúvidas sobre cooptação de funcionários do Desup e sobre a aplicação de medidas contundentes, como o termo de comparecimento, que acabou sendo implementado apenas em abril de 2025.
  • A supervisão mais ampla, com apoio de outros departamentos do BC, identificou irregularidades graves em 2025, levando à liquidação do Master e à busca de recursos no Banco de Brasília (BRB).

Foi o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, que enfrentou uma trajetória de fragilidade financeira e irregularidades administrativas, conforme apontado pela fiscalização do Banco Central (BC). Entre 2021 e 2024, o BC enviou ao banco pelo menos 25 ofícios exigindo melhorias em capital, classificação de risco e informações sobre precatórios e fundos administrados pela Reag. Em 2024, mesmo com dificuldades de liquidez, Vorcaro ampliou as captações garantidas pelo FGC, de 30 bilhões para 60 bilhões.

O BC identifica falhas estruturais no Master acima de 2023, com avaliações que variavam desde fragilidades na governança até deficiências de capital. Em março de 2024, houve alerta sobre desequilíbrio de caixa e concentração de vencimentos de depósitos; em maio, a autoridade estimou uma carteira com deficiências de capital na ordem de 885 milhões de reais. Em novembro, o banqueiro apresentou um plano para enfrentar os problemas, mas as medidas ainda não frearam o ritmo de crescimento.

Contexto e histórico

A avaliação do BC sobre Vorcaro remonta a 2019, quando foi autorizada a aquisição do Máxima, atual Master. Em 2020, o Comitê de Avaliação de Riscos e Controles (Corec) classificou o banco com rating baixo, citando fragilidades em governança e gestão de riscos. Em 2021, o BC exigiu capital adicional para proteção de depositantes; em 2022, houve pedidos de reclassificação de risco de crédito e ajustes em operações com precatórios e fundos.

A fiscalização identificou padrões de operações que desafiam a liquidez, incluindo uso de fundos como o Bravo administrado pela Reag. Essas descobertas levaram o BC a adotar, em 2023, medidas mais restritivas e a iniciar uma série de ofícios para corrigir irregularidades, com o objetivo de evitar maquiagem contábil de riscos.

Avanços e entraves

Apesar de avanços internos de 2023 e 2024, incluindo tentativas de limitar captações e impor regras para operações com o FGC, o BC permaneceu em posição de resistência diante do crescimento do Master. Em março de 2024, o BC antecipou riscos de liquidez, e, em maio, confirmou a deficiência de capital. Os agentes do BC identificaram ainda informações falsas sobre o nível de risco de crédito e um uso incomum de ativos via fundos não líquidos para cobrir obrigações.

Em maio de 2024, o BC preparou um ofício para exigir ações corretivas. A resolução CMN 4.019, que autoriza medidas preventivas, foi aplicada anteriormente, mas o BC enfrentou dúvidas sobre o uso dessa ferramenta em casos individuais. Relatos internos indicam que termos de comparecimento aos controladores e à alta direção eram reservatórios de medidas extremas, usados com cautela pela supervisão.

Investigações e desfechos

O processo de apuração mostrou que fraudes só puderam ser identificadas plenamente em 2025, com suporte de departamentos como o Desig, que analisou fluxos entre empresas e fundos para rastrear desvios de recursos. Em 2024, Vorcaro apresentou uma carta-compromisso que sinalizava aumento de capital e substituição de operações problemáticas, além de criar um comitê de auditoria.

O Master buscou recursos junto ao BRB, mas esse movimento levou a impactos adicionais, com o tamanho da exposição aumentando o risco financeiro. Em abril de 2025, Vorcaro assinou o primeiro termo de comparecimento, iniciando uma escalada que culminou na liquidação do banco. O BC sustenta que a atuação foi proporcional ao risco, progressiva e baseada em critérios técnicos. Procuradas, as defesas de Souza, Belline e Vorcaro não comentaram de forma substantiva.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais