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Bolsas emergentes superaram o mercado dos EUA desde o início da guerra

Desde o início do conflito, dez bolsas emergentes superaram o Dow Jones entre 2 de março e 29 de abril, abrindo oportunidades de investimento

Cédulas do mundo — Foto: Getty Images
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  • De 2 de março a 29 de abril, oito bolsas emergentes subiram, 14 caíram e duas ficaram próximas da estabilidade, segundo Valor Data.
  • Ao longo do período, dez índices de emergentes tiveram desempenho superior ao Dow Jones, e sete superaram o S&P 500; o Nasdaq também ficou atrás em parte, por ser concentrado em tecnologia.
  • O estudo considerou o MSCI Emerging Markets; a Argentina não faz parte por ter mercado considerado fechado aos padrões do MSCI.
  • O Brasil não integrou a lista de emergentes que subiram, mas há percepção de que pode se beneficiar pela produção de petróleo e por cortes de juros, com o EWZ estável em março.
  • Especialistas recomendam seleção setorial e diversificação, com possibilidades em Brasil, commodities, e mercados asiáticos (China, Coreia do Sul, Índia) para longo prazo.

Desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, o desempenho das bolsas emergentes teve movimentos distintos. Um levantamento do Valor Data aponta que, entre 2 de março e 29 de abril, oito índices emergentes subiram, 14 caíram e dois ficaram próximos da estabilidade.

Chamou atenção o fato de dez bolsas de países emergentes terem desempenho superior ao Dow Jones, indicador americano de referência. Ao mesmo tempo, sete índices emergentes superaram o S&P 500, e um ultrapassou o Nasdaq em variação.

Analistas destacam que o cenário de tensão geopolítica não levou a uma fuga generalizada de ativos de risco. Segundo Axel Christensen, da BlackRock, muitos emergentes contavam com fundamentos sólidos e boa posição para enfrentar choques de petróleo.

Segundo o especialista, bancos centrais de vários países têm espaço para cortar juros e manter finanças públicas estáveis. A depender da composição de cada economia, exportadores de energia também se beneficiaram com a alta dos preços internacionais.

A percepção de valuation barato já era parte do discurso antes do conflito. Flávio Vegas, da Global X, aponta que avaliações atrativas, tensões comerciais e mudanças na política americana contribuíram para o interesse por emergentes.

Com o avanço da guerra, exportadores de commodities e setores de tecnologia ganharam reação favorável. Christensen cita a Arábia Saudita e a Hungria entre exemplos de regiões que ressaltaram seu potencial durante o período.

A Coreia do Sul e Taiwan se fortaleceram por manterem posição estratégica na cadeia global de semicondutores, sustentando ganhos mesmo em meio ao conflito. Investidores valorizam o papel desses países na tecnologia e na IA.

E o Brasil?

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, não integrou a lista de emergentes que subiram desde o início da guerra. Contudo, o desempenho anterior ao conflito já apontava atratividade por preço de ações e commodities.

Segundo especialistas, o Brasil pode se beneficiar ao manter um ciclo de cortes de juros e ao destacar seu peso em petróleo e outras commodities. Em março, o ETF EWZ teve queda mais moderada que o MSCI Emerging Markets ETF, conforme avaliação de fontes do mercado.

Analistas destacam que a economia brasileira pode responder a fluxos de capital externo, mesmo com incertezas geopolíticas. Atração por ações ligadas a petróleo, minério e agronegócio ainda é apontada como vantagem competitiva.

Onde investir nesses emergentes?

Especialistas recomendam diversificação e visão de longo prazo. Christensen aponta seleção cuidadosa de países e setores como chave para aproveitar o atual momento.

Vegas reforça que parte dos ganhos já ocorreu, mas a alocação continua pertinente para investidores que buscam exposição internacional com foco no longo prazo. O gerenciamento de risco é essencial.

Para o Brasil, há espaço na renda fixa com juros elevados e em exportadores asiáticos de tecnologia, além de minerais críticos da América Latina, segundo os especialistas. Recomenda-se cautela diante da volatilidade geopolítica.

China, Coreia do Sul e Índia seguem como destinos relevantes pela inovação em tecnologia e capital humano, segundo análises consultadas. O apelo estratégico também envolve a proximidade com os EUA e a composição setorial de cada país.

Como investir na prática?

A oferta de instrumentos cresceu para acesso a emergentes no Brasil. ETFs passam a ser um canal principal para exposição ampla a países e regiões, com menor custo e gestão simplificada.

BDRs listados no Brasil permitem espelhar ativos no exterior, incluindo ações e ETFs. Entre as opções disponíveis estão fundos que acompanham mercados chineses, indianos e latino-americanos.

Além de ETFs e BDRs, fundos com alocação internacional representam alternativa para quem busca diversificação sob gestão profissional. A escolha de ativos cabe aos gestores, conforme a estratégia do fundo.

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