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Desenrola em duplicidade: dois programas em três anos geram dúvidas

Alta de juros diante de gastos públicos leva Lula a lançar Desenrola 2, ampliando alívio a endividados e custo fiscal

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dario Durigan, ministro da Fazenda, durante anúncio do Desenrola 2
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  • Lula apresentou o Desenrola 2, novo programa de renegociação de dívidas, com foco em pessoas com renda de até cinco salários mínimos e descontos de até 90% para débitos.
  • O programa permite limpar o nome de quem deve até R$ 100 e usar até 20% do saldo do FGTS, com custos máximos de 1,99% ao mês (26,7% ao ano).
  • A medida ocorre em um contexto de juros altos, com a taxa básica do Banco Central variando entre 14,5% e patamares próximos de 15% no fim de 2024, pressionando famílias.
  • O aumento das despesas do Tesouro Nacional e o afrouxamento das metas fiscais contribuíram para a inflação e para a elevação do spread bancário, trazendo juros mais altos para novos financiamentos.
  • Dados indicam que 29,7% da renda familiar já é comprometida com dívidas pouco antes das eleições, o que motivou o lançamento do novo programa, enquanto especialistas destacam que o efeito depende de queda sustentável dos juros.

O governo anunciou a criação do Desenrola 2, programa de renegociação de dívidas pessoais voltado especialmente para pessoas com renda de até cinco salários mínimos. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (4) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em meio a pressões inflacionárias e a elevação dos juros. O objetivo é reduzir o impacto do endividamento sobre famílias e ampliar o fluxo de caixa.

Segundo o governo, o Desenrola 2 prevê descontos de até 90% sobre débitos, independência de santidade contábil do crédito e possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS para quitar ou renegociar dívidas. O programa também permite a renegociação com custos máximos de 1,99% ao mês, ou 26,7% ao ano. O público-alvo é composto por devedores com nome sujo até R$ 100 e renda mensal até R$ 8.105.

O que levou à medida

Dados fiscais recentes indicam aperto financeiro para as famílias, com o spread bancário em patamares elevados e juros médios de crédito ao consumidor entre 27,7 e 61,5% ao ano, dependendo da modalidade. A elevação das parcelas de financiamento e a deterioração da renda contribuíram para o impulso ao lançamento de um novo programa de renegociação.

Contexto econômico e prioridade do governo

A Fazenda aponta que a alta da despesa pública e a inflação associada elevaram a necessidade de instrumentos de alívio imediato para consumidores endividados. A gestão também sinaliza que o sucesso do Desenrola 2 dependerá de condições para queda sustentada dos juros e de ajustes no Orçamento e na trajetória da dívida pública.

Perspectivas e limites

Autoridades admitem que o efeito de curto prazo do Desenrola 2 pode ser limitado se não houver queda consistente da taxa básica de juros e melhoria da confiança fiscal. No cenário externo, continuam riscos ligados a preços de petróleo e a tensões geopolíticas que afetam o custo de crédito.

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