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Dinheiro esquecido pode não sustentar Desenrola 2.0 diante da inadimplência

Dinheiro esquecido pode viabilizar o Desenrola 2.0 no curto prazo com até 90% de descontos, mas não resolve a inadimplência estrutural

Para especialistas, a medida não resolve o problema estrutural da inadimplência no país
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  • Governo quer usar entre cinco e oito bilhões de valores esquecidos para viabilizar o Desenrola Brasil 2.0, com recursos transferidos ao Fundo Garantidor de Operações para oferecer descontos e condições mais vantajosas.
  • O programa pode permitir abatimentos de até noventa por cento em dívidas, com juros de até um vírgula noventa e nove por cento ao mês e prazo de pagamento de até quarenta e oito meses; é possível usar até mil reais do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para quitar débitos.
  • O dinheiro não é sacado pelos consumidores; ele funciona como garantia para ampliar a concessão de crédito, reduzindo o risco para os bancos. Especialistas destacam que o mecanismo ajuda no curto prazo, mas não resolve a inadimplência de forma estrutural.
  • Dados indicam que oitenta vírgula quatro por cento das famílias estão endividadas, revelando o desafio de curto prazo; há dúvidas sobre se os recursos podem ser considerados confisco, desde que obedecidas as leis e princípios constitucionais.
  • O Desenrola 2.0 amplia o alcance, incluindo estudantes com dívidas do Fies, micro e pequenas empresas e produtores rurais; quem aderir ficará impedido de usar plataformas de apostas online por um ano.

Com a nova fase do Desenrola Brasil anunciada nesta segunda-feira (4), o governo federal informou que pretende usar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões em valores esquecidos por cidadãos em bancos para viabilizar a renegociação de dívidas. O dinheiro não sairá do bolso do consumidor, mas será transferido para o Fundo Garantidor de Operações (FGO) para ampliar garantias aos bancos.

Essa operação permitirá descontos e condições mais favoráveis, com abatimentos que podem chegar a 90% em dívidas. O programa prevê juros de até 1,99% ao mês, prazo de pagamento de até 48 meses e uso de até R$ 1 mil do FGTS para quitar débitos.

Para especialistas, a medida ajuda no curto prazo, mas não resolve o problema estrutural da inadimplência no país. O FGO funcionará como proteção parcial ao crédito, segundo a economista Cristina Helena Pinto, da PUC-SP.

Outra pesquisadora aponta que, mesmo com o reforço do fundo, o Tesouro Nacional permanece como garantidor de última instância caso as perdas superem o patrimônio do FGO. Isso ocorre em cenários de inadimplência elevada.

Dinheiro esquecido é tema de debate jurídico e técnico. Marcos Bassani, da Boa Brasil Capital, ressalta que a transferência de recursos para o Estado, desde que prevista em lei, não configura confisco. O tema envolve assuntos de tributação e proporcionalidade.

Dados da CNC apontam alta endividação: 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas, patamar recorde na série histórica. Pesquisas sugerem que o programa pode estimular consumo no curto prazo, mas não tratará as causas subjacentes do endividamento.

Desenrola 2.0, novo nome do programa, foi oficialmente lançado nesta semana. A edição ampliada passa a atender estudantes com dívidas do Fies, micro e pequenas empresas e produtores rurais, além de manter pendentes outros públicos.

Entre as novidades, o governo informou que quem aderir ao Desenrola 2.0 ficará impedido de usar plataformas de apostas online por um ano, medida anunciada para limitar riscos associados a compromissos financeiros.

O programa busca ampliar a renegociação de dívidas com condições mais favoráveis, mantendo o foco na redução de inadimplência. Especialistas destacam que políticas de longo prazo, como infraestrutura, também são necessárias para resultados duradouros.

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