- Dois restaurantes paulistanos, Evvai e Tuju, receberam three estrelas no Guia Michelin, elevando o Brasil a um patamar com França, Japão, Espanha e China.
- A conquista coloca o Brasil entre os poucos países com três estrelas e amplia a visibilidade internacional do cenário gastronômico brasileiro.
- Pesquisas apontam que uma estrela pode aumentar o faturamento de um restaurante em cerca de vinte por cento, enquanto três estrelas podem duplicar as receitas em um ano.
- Além do Michelin, listas como os 50 Best e prêmios como The Best Chefs Awards ganharam peso, com governos usando eventos para promover destinos turísticos e economia local.
- O modelo de financiamento público de premiações gera debates sobre desigualdade de acesso entre destinos e impactos reputacionais, além de sustentar críticas sobre independência e credibilidade.
A disputa por prêmios na gastronomia ganhou contornos de narrativa global e também impacto econômico. A recente edição do Guia Michelin elevou Evvai e Tuju, em São Paulo, à classificação de três estrelas, colocando o Brasil entre os únicos na América Latina com esse patamar e aproximando o país de potências como França e Japão.
Especialistas apontam que as estrelas funcionam como um selo de qualidade com efeitos diretos no faturamento e na visibilidade. Pesquisas indicam que uma estrela pode elevar a receita, e três estrelas podem até duplicá-la em um ano, embora o peso exato varie entre mercados e conceitos de negócio.
O reconhecimento também se tornou tema de debate. Restaurantes celebram a maior exposição internacional e o impacto econômico para as cidades, que ganham turismo e negócios associados. Por outro lado, cresce a crítica sobre financiamento público e a influência de patrocínios no ecossistema de premiações.
O papel das premiações na gastronomia
O Michelin, criado em 1900 e com sistema de estrelas desde 1936, continua a dominar o segmento. Inspetores anônimos visitam restaurantes em mais de 40 países, avaliando serviço, qualidade e consistência.
O ecossistema de prêmios e impactos
Além do Michelin, surgiram guias e listas como 50 Best e Gault&Millau. O ranking dos 50 melhores, com votantes de várias regiões, ganhou influência global ao ampliar a visão sobre o que é excelência, não restrita a um eixo europeu.
Financiamento público e geopolítica do turismo
A gastronomia passou a ser ferramenta de soft power para cidades e países. Governos investem em premiações para promover destinos, gerar mídia e atrair turismo. Em alguns casos, governos arcariam com parte dos custos, levando a debates sobre diversidade, independência e credibilidade das premiações.
Desafios e críticas
Especialistas ressaltam riscos de desequilíbrio quando o financiamento vem majoritariamente do setor público. A concentração de eventos em destinos com maior capacidade financeira pode excluir cidades com menor orçamento, reduzindo a diversidade do cenário gastronômico global.
Entre na conversa da comunidade