- O Ibovespa fechou abril em 187.317 pontos, queda de 0,08%, acumulando alta de 16,26% no ano, puxado pelo desempenho do primeiro bimestre.
- O mês teve duas fases: na primeira quinzena houve alta de mais de 5%, com pico perto de 198 mil pontos em 14 de abril; na segunda metade o índice caiu, com quedas de 2,23% e 1,8% nas duas últimas semanas.
- O fluxo de investimentos estrangeiros ficou positivo até 28 de abril, em 60,7 bilhões de reais, com compras de 1,77 trilhão e vendas de 1,72 trilhão.
- No acumulado do ano, o Ibovespa lidera o desempenho entre os principais índices, enquanto ativos externos apresentaram desempenho pior, com o Bitcoin em queda de 21,35% e o euro e o dólar também em baixa.
- A perspectiva depende do ritmo de entrada de capitais estrangeiros e de juros; a Selic está em 14,5% ao ano e pode haver maior aporte doméstico caso haja queda da taxa. O real ficou mais forte, com o dólar em queda e o petróleo influenciando o cenário.
O Ibovespa fechou abril em queda de 0,08%, aos 187.317 pontos, encerrando um mês de alta volatilidade. O índice acumula ganho de 16,26% no ano, puxado pelo desempenho externo e pela leitura de ciclos internos até o início da tensão geopolítica no fim de fevereiro.
No decorrer do mês, a bolsa teve dois polos: alta de mais de 5% na 1ª metade e queda rápida nas semanas finais, com o setor de commodities influenciando o humor dos investidores. A reabertura do Estreito de Ormuz levou o mercado a ajustar posições, após ficar fechado por mais de 40 dias.
Fluxo estrangeiro e cenário anual
Analistas destacam entrada expressiva de capitais estrangeiros na B3 nos primeiros quatro meses de 2026. Até 28 de abril, o saldo líquido foi de +R$ 60,7 bilhões, com compras de R$ 1,77 trilhão e vendas de R$ 1,72 trilhão. Esse fluxo é visto como fator de pressão compradora sobre ações locais.
Para a Elos Ayta Consultoria, os fluxos ajudam a sustentar o Ibovespa, que lidera o ranking de desempenho entre os principais índices no acumulado do ano. O Idiv e o ouro aparecem entre os melhores desempenhos, enquanto ativos ligados ao exterior registraram as maiores quedas.
Perspectivas e fatores internos
A visão de curto prazo aponta volatilidade, mas com viés estrutural positivo, caso o fluxo de investimentos permaneça em patamar histórico. A inflação de ativos domésticos depende da manutenção de liquidez externa e da atuação do Banco Central.
Especialistas também destacam a possibilidade de melhora com queda adicional da Selic, hoje em 14,5% ao ano. Há ainda expectativa sobre o papel das eleições na dinâmica de alocações, com o mercado monitorando cenários de renovação no Planalto.
Cenário cambial e riscos
O real mostrou força frente ao dólar, com desvalorização de apenas 4,4% no último mês e mínimo próximo a março de 2024. O câmbio acumula queda de quase 10% no ano, sustentado por termos de troca favoráveis e pelo carry trade elevado, segundo avaliações de bancos.
O brent, acima de US$ 114, impulsionou a cautela em setores sensíveis à energia, com impactos potenciais em preços de bens de consumo. Especialistas ressaltam a necessidade de estabilidade institucional para manter o fluxo de capitais.
Conjuntura geopolítica
Especialistas apontam que o desempenho futuro depende do curso da guerra no Oriente Médio. Movimentos geopolíticos podem influenciar o apetite por risco e a competitividade de ativos domésticos frente a mercados externos.
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