- O Ibovespa encerrou abril com queda de 0,08%, afastando-se da marca de 200 mil pontos.
- Analistas dizem que avanços dependem de melhoria no cenário geopolítico, corte de juros e retomada do fluxo estrangeiro.
- O mês apresenta saída de capital externo, com saldo positivo de R$ 6,9 bilhões até o dia 28; até o dia 15 houve entrada líquida de R$ 14,6 bilhões.
- Investidores estrangeiros reduziram posições em BOVA11, ETF que acompanha o Ibovespa, em papéis de grandes instituições.
- Para superar 200 mil pontos, especialistas apontam gatilhos como melhor ambiente externo, continuidade do fluxo estrangeiro e queda da curva de juros no Brasil, com perspectiva de volatilidade no curto prazo.
O Ibovespa encerrou abril próximo de zero a zero, mantendo a mira nos 200 mil pontos, apesar de recuar recentemente. A queda veio após a bolsa abrir espaço para a expectativa de negociações entre Estados Unidos e Irã, mas não estabilizou a tempo de confirmar o patamar histórico.
Especialistas ouvidos pelo CNN Money apontam que o avanço da bolsa depende de três pilares: melhoria do cenário geopolítico, cortes de juros e retomada do fluxo externo. O índice fechou o mês com queda de 0,08%, a segunda consecutiva.
A avaliação da analista Bruna Sene, da Rico, aponta que a correção elevou o ajuste de valores. Segundo ela, lucros revisados para cima tornaram o valuation mais atrativo, abrindo espaço para novas entradas de investidores.
A pesquisadora aponta ainda fatores macroeconômicos desafiadores: inflação resistente, núcleos pressionados e menor espaço de manobra para o Banco Central. A guerra no Oriente Médio aumenta a volatilidade do petróleo, afetando ativos sensíveis ao ciclo doméstico.
Do lado do fluxo de capitais, o mercado acompanha a saída de investidores estrangeiros. A B3 registra saldo mensal positivo de R$ 6,9 bilhões até o dia 28, mas houve entrada líquida de R$ 14,6 bilhões até o dia 15. A tendência de realização de lucros é citada por especialistas.
Anderson Silva, da GT Capital, aponta que a venda de BOVA11 por grandes players indica redução da exposição estrangeira ao Brasil, com impacto nos componentes do Ibovespa. A atuação de instituições como Morgan Stanley e Goldman Sachs é mencionada nesse movimento.
Gilberto Nagai, da SulAmérica Investimentos, lembra que parte do capital externo saiu de tech nos EUA diante de temores de problemas operacionais. O mercado observa se esse ajuste se consolida à medida que resultados corporativos avançam.
Para retomar fôlego, especialistas citam gatilhos: melhora do ambiente externo, continuidade do fluxo estrangeiro e queda da curva de juros no Brasil. Raissa Florence, Oz Câmbio, ressalta que maio deve ter mais volatilidade, com fatores como petróleo, Fed e resultados corporativos em foco.
Nagai ressalta que o recuo da aversão ao risco depende de clarificação do cenário no Oriente Médio. Com petróleo estável, a inflação pode ceder e os juros cair, atraindo novamente investidores estrangeiros ao Brasil.
Bruna Sene ressalta que, no médio prazo, ainda há espaço para o Ibovespa buscar os 200 mil pontos, mesmo com ruídos geopolíticos. O cenário permanece favorável pela combinação de fluxo externo, câmbio, commodities e política monetária.
Por fim, as perspectivas no curto prazo permanecem mais desafiadoras. Segundo especialistas, a bolsa pode enfrentar correções e volatilidade, com o cenário eleitoral pesando sobre a tomada de risco dos investidores.
Observação: a reportagem consolidou dados e depoimentos de analistas consultados, oferecendo visão neutra sobre o cenário sem apontar previsões definitivas.
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