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Mais gastos em defesa não garantem segurança da Europa

Gastos de defesa maiores não asseguram segurança: é preciso converter investimentos em tecnologia estratégica e mobilizar capital privado

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, participa de uma reunião com o presidente da França, Emmanuel Macron, em Paris
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  • A Europa está aumentando os gastos com defesa, mas ainda subinvestida, segundo a Agência Europeia de Defesa.
  • Em 2024, o investimento em P&D de defesa da União Europeia ficou em € 13 bilhões, cerca de 0,07% do PIB, bem abaixo dos Estados Unidos, que investiram around US$ 149 bilhões (aproximadamente 0,5% do PIB).
  • O principal desafio não é o dinheiro, e sim transformar esses gastos em capacidade tecnológica real, com foco em semicondutores, IA, computação quântica e energia limpa.
  • A defesa depende hoje da velocidade de desenvolvimento e escala dessas tecnologias, e não do tamanho das tropas. Países queAgirem rápido tendem a ficar mais seguros e prósperos.
  • Uma solução apontada é usar mecanismos de coinvestimento público-privado para alavancar capital institucional, incluindo fundos de pensão, ampliando investimentos em setores estratégicos por meio de compromissos públicos de P&D duradouros.

A Europa tem aumentado os gastos com defesa após anos de subinvestimento, mas especialistas alertam que o desafio real vai além do dinheiro. O fôlego financeiro precisa se traduzir em capacidade tecnológica, não apenas em números de tropas ou de orçamento.

Dados da Agência Europeia de Defesa mostram que o gasto em pesquisa e desenvolvimento ligados à defesa na UE somou 13 bilhões de euros em 2024, cerca de 0,07% do PIB. Em comparação, os EUA investiram US$ 149 bilhões (aproximadamente 0,5% do PIB). A lacuna exige mais que mais recursos públicos; requer uma virada estratégica de mobilização de capital.

A ideia central é transformar investimentos em tecnologia. Sem avanço rápido em semicondutores, IA, computação quântica e energia limpa, a vantagem europeia em pesquisa não se converte em capacidade industrial. Países que acelerar esse processo ganham segurança e prosperidade, enquanto a dependência de fornecedores externos aumenta custos.

A fragilidade europeia não está na falta de talento, mas na tradução de pesquisa em produção. Universidades de classe mundial existem; porém, poucas empresas inovadoras viram grandes companhias globais. Muitas são adquiridas ou operam com foco fora da Europa.

A partir de visão institucional, a resistência está no capital disponível para assumir riscos. Apesar de reservas financeiras, o continente tem dificuldade em estruturar investimentos de longo prazo em setores estratégicos. A defesa passa a depender cada vez mais da capacidade de expandir tecnologias emergentes.

Os planos de previdência europeus aparecem como fontes de capital ainda pouco exploradas. Enquanto administradores costumam priorizar ativos líquidos e de baixa volatilidade, grande parte do capital de longo prazo permanece sob gerenciamento conservador. O resultado é menor disposição para financiar inovação.

Medidas públicas, como um acelerador de defesa, já mostraram viabilidade de coinvestimento público-privado, mas não modificaram significativamente as decisões de investimento institucional. A replicação em larga escala permanece como desafio a ser superado.

Especialistas defendem que o gasto público deve funcionar como catalisador, igualando o investimento privado em setores estratégicos. Com isso, o risco seria compartilhado e o processo de seleção de projetos ficaria a cargo do setor privado, mantendo o controle de riscos em parceria.

A abordagem sugerida prevê dois efeitos: reduzir o risco para investidores institucionais e atrair mais capital privado, com cada euro público mobilizando soma equivalente de private capital. O objetivo é alavancar recursos e criar um ecossistema de financiamento sustentável a longo prazo.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, e outros líderes europeus já sinalizam a necessidade de autonomia estratégica por meio de investimentos coordenados. Em Paris, consequências políticas destacam que a dependência externa eleva custos em interrupções de suprimento e na definição de padrões.

Para que a Europa avance, é essencial consolidar compromissos públicos de pesquisa e desenvolvimento plurianuais, similares aos modelos já adotados pela França e pela Finlândia. Sem consistência, investidores podem manter operações limitadas, restringindo o ecossídio de inovação.

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