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Copom adota cautela diante tensões globais e expectativa de inflação

Copom mantém moderação na queda da Selic ante tensões geopolíticas e inflação mais alta; ata não aponta ritmo futuro de ajustes

Edifício-Sede do Banco Central em Brasília
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  • Copom manteve cautela na redução da Selic após conflitos no Oriente Médio e expectativa de inflação mais resistente.
  • A indicação é de que o colegiado não deu pistas sobre a evolução futura dos juros e monitora impactos da guerra na inflação.
  • Ata reforça que o cenário econômico externo, especialmente incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos, influencia as decisões.
  • Projeções do mercado para o IPCA este ano chegam a 4,89%, com 4,00% em 2027 e 3,64% para 2028, segundo o boletim Focus.
  • O BC aponta que custos para trazer a inflação à meta aumentam com expectativas desancoradas, mantendo postura restritiva na Selic.

O Copom, órgão do Banco Central, manteve a moderação na redução da taxa Selic após a divulgação da ata da reunião da semana passada. A decisão ocorreu em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio e a inflação volátil, que mantêm o ritmo de aperto monetário no país. A taxa passou a 14,5% ao ano.

A ata aponta que o comitê não sinalizou uma direção firme para a evolução dos juros. O BC ressaltou que continuará monitorando o conflito e seus efeitos sobre a inflação, incluindo possíveis impactos de oferta de petróleo e cadeias de produção.

A divulgação ocorreu nesta terça-feira (5). O BC destacou incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos como fator a ser considerado no cenário de juros, reforçando cautela diante de mudanças globais.

Contexto e impactos esperados

Antes da escalada, a visão predominante era de queda mais acentuada na Selic ao longo do tempo. O Copom alerta para desancoragem adicional das expectativas de inflação, especialmente para 2028, o que justifica manter a política restritiva.

O Boletim Focus aponta IPCA de 4,89% neste ano, 4% para 2027 e 3,64% para 2028. O BC sinaliza que custos de trazer a inflação à meta aumentam quando as expectativas estão desancoradas, sustentando o ajuste gradual da política monetária.

O modelo de referência do BC passou a prever IPCA de 4,6% em 2026. A taxa básica permanece como referência para o conjunto de juros da economia, com meta de inflação de 3% e faixa de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

Nota sobre o ciclo de redução

Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom já havia iniciado novo ciclo de redução em março, porém o cenário atual de guerra no Oriente Médio dificulta o processo.

O comitê indicou que continuará calibrando a política monetária conforme novas informações; os ajustes devem considerar a profundidade e extensão dos conflitos e seus efeitos sobre preços no longo prazo.

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