- Em meio a maior incerteza global, investidores brasileiros ajustam a carteira com foco internacional, considerando fluxo para Brasil, Estados Unidos e petróleo.
- Os Estados Unidos permanecem como principal motor econômico e financeiro; o Brasil é destaque entre emergentes, mas não substitui o papel norte-americano.
- O choque de petróleo pode impactar inflação e crescimento, dependendo da intensidade, afetando juros, renda fixa, ações e decisões de bancos centrais.
- A diversificação de cenários e de classes de ativos ganha peso para reduzir riscos e lidar com diferentes desfechos macroeconômicos.
- Manter parte do patrimônio em moeda forte ajuda a preservar o poder de compra; há oportunidades futuras em IA, infraestrutura e reindustrialização nos Estados Unidos.
Em meio a maior incerteza global, investimentos internacionais retomam espaço na estratégia de investidores brasileiros. O programa Global Wallet, da BM&C News em parceria com a Avenue, reuniu especialistas para debater fluxos de capital, Brasil, EUA, petróleo e proteção de portfólio.
Rafael Lara conduziu o debate com Guilherme Loureiro, da Montebravo, e Bernardo Queima, da Gama Investimentos. O objetivo foi entender o que esperar do cenário externo e como ajustar a carteira global diante de riscos geopolíticos e macroeconômicos.
Os especialistas destacaram que o Brasil pode ter ganho relativo de atratividade, sem perda de posição na visão global. Ainda assim, a leitura não sinaliza mudança estrutural no fluxo mundial de capitais, centrado nos Estados Unidos.
> A imensa maioria do fluxo mundial continua indo para os Estados Unidos, afirmou Bernardo Queima.
Brasil entre emergentes, EUA ainda líder
Bernardo apontou melhoria relativa do Brasil entre emergentes, mas ressaltou a diferença de escala. Os EUA representam cerca de 30% do PIB global e concentram 60% a 70% do mercado de capitais, dependendo da métrica.
Guilherme Loureiro mencionou fatores positivos para fluxos ao Brasil, como juros elevados, moeda considerada barata, menor risco geopolítico e exposição a commodities e energia. Ainda assim, existem desafios locais e externos.
> Então acho que é um pouco é meio beneficiário relativo aí do do processo, mas obviamente tem muito desafio, ponderou Loureiro.
Petróleo transforma leitura de inflação e crescimento
A alta volatilidade do petróleo foi outro eixo do papo. O funcionamento entre mercado físico e futuro, aliado à queda de estoques, pode alterar leituras sobre inflação e atividade global.
A reação inicial é associar choque de petróleo à inflação. Se o preço subir demais, a discussão pode avançar para impacto no crescimento e juros, com efeitos sobre renda fixa e ações.
> Se de fato a gente vai falando de petróleo a 200, o tema é crescimento, provavelmente, analisou Loureiro.
Diversificação ganha importância
Para Queima, o portfólio não pode depender de um único cenário. Diversificação funciona como ferramenta de gestão de risco diante de diferentes desfechos, inclusive de conflitos.
Loureiro acrescentou que a diversificação também vale entre classes de ativos. Em juros internacionais mais altos, a renda fixa global pode ganhar relevância; ações demandam seletividade.
> Montar um portfólio que possibilite você não levar uma goleada, no cenário A ou B, destacou Queima.
EUA continuam como eixo do mercado global
Apesar de ruídos políticos e incertezas fiscais, os Estados Unidos aparecem como principal referência para alocação global. A liquidez, a segurança jurídica e a capacidade de inovação mantêm o apelo dos ativos norte-americanos.
Bernardo ressaltou a natureza dinâmica da economia norte-americana, com facilidade para captação de recursos por empresas e maior previsibilidade para investidores.
> É muito difícil achar um lugar que você invista com a segurança jurídica que você tem nos Estados Unidos, observou Queima.
Dólar, poder de compra e risco de concentração
A discussão contemplou a necessidade de não manter toda a riqueza em reais. Diversificação internacional preserva poder de compra em moeda forte e reduz dependência de uma única economia.
Para os convidados, retorno medido em dólar muda a leitura. Juros elevados no Brasil parecem atrativos, mas o impacto no consumo das famílias depende da variação cambial.
> Quando você fala de retorno de oito em dólar, é muito retorno quando você está falando em moeda forte, avaliou Queima.
Inteligência artificial e infraestrutura no radar
Entre oportunidades, IA, eletrificação, infraestrutura e reindustrialização dos EUA aparecem como tendências de longo prazo capazes de atrair capital mesmo com volatilidade de curto prazo.
Bernardo afirmou que investidores que focam apenas no Brasil podem perder movimentos estruturais relevantes, especialmente em IA, que pode elevar produtividade e exigir novos investimentos.
> Vamos falar muito mais do que se imagina, projetou Queima.
Disciplina ganha peso frente a crises
No encerramento, os gestores destacaram a importância de perfil de risco, liquidez e horizonte de tempo. Movimentos de curto prazo costumam exagerar preços, enquanto fundamentos das empresas podem oscilar menos.
Loureo ressaltou que consistência supera ganhos elevados em janelas curtas, mantendo o investidor investido ao longo de ciclos.
> Consistência é mais importante do que retornos muito excessivos, concluiu Loureiro.
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