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O iPhone que nunca existiu: o projeto cancelado pela Apple

Do sonho ao colapso: o IPO da General Magic elevou expectativas, mas atraso de produto e liberdade criativa excessiva levaram à derrocada geral

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  • Três ex‑ Apple — Marc Porat, Andy Hertzfeld e Bill Atkinson — fundam a General Magic em 1989‑1990 para levar a visão da “economia da informação” adiante, com o protótipo Pocket Crystal, um dispositivo fino com tela sensível ao toque que combinava telefone, fax e apps.
  • O projeto ganhou apoio de grandes nomes da indústria e formou a Alliance, um poderoso consórcio com Sony, Motorola, AT&T e outros, financiando a empresa e ajudando na viabilização de parcerias.
  • Em 1995, a General Magic abriu o capital e teve a Goldman Sachs como responsável pela oferta pública; no primeiro dia, o preço das ações dobrou.
  • O produto lançado não correspondeu às expectativas: vendeu cerca de três mil unidades em seis meses, o valor de mercado caiu significativamente ao longo do tempo e houve saída de executivos, incluindo o próprio Porat.
  • O legado da empresa ficou marcado pelo talento de seus profissionais, que contribuíram para grandes companhias como Apple, Google, Adobe e Samsung; o documentário General Magic (2018) relata o excesso de liberdade e de recursos que contribuíram para o fracasso.

A história de General Magic começa nos bastidores da Apple, quando três ex-funcionários da empresa criam o que chamaram de “conceito de IPO.” O grupo, formado por Andy Hertzfeld, Bill Atkinson e Marc Porat, buscava redefinir a relação entre telefone e computador. Porat já havia estudado mudanças na economia da informação na Stanford, prevendo uma era movida por dados.

Porat, na Apple, articulou a visão de um dispositivo portátil que combinaria telefone, agenda, mensagens e apps, com tela sensível ao toque e sem botões. O projeto recebeu aval interno, mas foi considerado grande demais para a época, exigindo redes e padrões que ainda não existiam.

Em 1990, ficou acordado que a ideia ganharia vida como empresa independente, com investimento externo. Nasceria assim a General Magic, com a promessa de revolucionar a forma como as pessoas interagem com tecnologia. O nome, inspirado em referências de tecnologia e ficção científica, sinalizava ambição.

A Alliance e o capital global

A empresa atraiu grandes fabricantes e operadoras para formar a chamada Alliance, com Sony, Motorola, AT&T, Philips e outros entrando como sócios. O acordo garantiu financiamento e participação significativa de players globais de telecomunicações.

Com o início das operações, o time reuniu talentos veteranos e novatos. A equipe contou com veteranos da Apple, designers e engenheiros de software, além de executivos que alavancaram projetos futuros em grandes companhias de tecnologia.

Durante o período de preparação para o IPO, a General Magic buscou manter a cultura de garagem e liberdade criativa. A promessa era criar um ambiente propício à inventividade, com alto orçamento para experimentação.

O lançamento oficial, em 1995, elevou o preço das ações no primeiro pregão. No entanto, o produto final falhou ao cumprir expectativas, com vendas lentas e desempenho financeiro fraco, levando a saída de executivos-chave e a retração de parceiros da Alliance.

A escolha de manter a visão ambiciosa, porém sem um foco claro de mercado, é apontada como um dos fatores centrais para o colapso subsequente. O entreposto de talentos deixou uma legião de profissionais que em seguida avançaram para empresas como Apple, Google, Adobe e outros nomes de peso.

A história foi registrada em documentário de 2018, que revisita a gestão de projetos, a cultura de inovação desenfreada e as falhas que ajudaram a apagar a promessa de uma revolução tecnológica antes de seu tempo. A produção analisa a tensão entre liberdade criativa e necessidade prática de foco.

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