- Vendas diretas de diesel B, puxadas pela Petrobras para grandes consumidores, chegaram a 23,4 milhões de litros no primeiro trimestre de 2026, frente a 1,1 milhão no último três meses de 2025 (alta de 20 vezes).
- Minas Gerais concentrou a maior parte das compras, com 20 milhões de litros, aumento de 36 vezes em relação ao período anterior.
- As vendas foram principalmente da Petrobras para a Vale, que responde por cerca de 4% do consumo de diesel no Brasil; diferentemente das vendas via distribuidoras, não há obrigatoriedade de créditos de descarbonização (CBIOs).
- A Vale afirmou que o contrato é confidencial; a Petrobras disse que avalia continuamente vendas diretas a grandes consumidores, sempre dentro da lei e da regulação.
- Distribuidoras veem o movimento como concorrência desleal; a ANP diz que a venda direta está prevista na Resolução 852/2021, e que já dialoga com o Sindicom sobre o tema.
A venda direta de diesel B, obtido pela mistura de diesel com biodiesel, cresceu fortemente no primeiro trimestre de 2026. O salto, puxado pela Petrobras, atingiu 23,4 milhões de litros de janeiro a março, ante 1,1 milhão no quarto trimestre de 2025. A mudança ocorreu principalmente entre produtores e grandes consumidores.
A operação foi majoritariamente entre Petrobras e a Vale, conforme apurado pelo Estadão/Broadcast. A Vale confirmou cláusulas de confidencialidade no contrato, enquanto a Petrobras afirmou que atua dentro da lei e avalia a venda direta a grandes compradores conforme a regulação vigente.
A Bahia, Minas Gerais e outros estados registraram variações, mas Minas Gerais respondeu por cerca de 20 milhões de litros, um aumento de 36 vezes em relação ao último trimestre de 2025. O incremento regional é o principal impulsionador do crescimento nacional.
Mercado e evidências da ANP
A ANP confirmou que a venda direta ao consumidor final é prevista pela Resolução 852/2021. Dados da agência mostram que o Rio de Janeiro e São Paulo também apresentaram crescimento, ainda que com volumes menores. A norma não exige compra de CBIOs nesse tipo de operação.
As distribuidoras veem a prática como concorrência potencialmente desleal, por não exigir contrapartidas de descarbonização. O Sindicom já questionou a validade da venda direta, sem sucesso, em decisões anteriores.
A ANP reiterou que mantém diálogo com o Sindicom e que as operações seguem a legislação. A demanda por diesel aumenta em meio a pressões geopolíticas e a restrições logísticas que afetam entregas às distribuidoras.
Perspectivas e leituras do setor
O aumento da venda direta ocorre em um cenário de queda de disponibilidade para as distribuidoras. Segundo fontes do setor, aproximadamente 10% dos pedidos de maio não foram aceitos pela Petrobras. O tema tem ganhado atenção entre reguladores e agentes do mercado.
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