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Adoção de IA nas empresas gera custos psicológicos aos funcionários e caminhos para mitigar

Estudo com mil duzentos funcionários nos EUA e no Reino Unido aponta dívida psicológica com IA, reduz motivação e interação entre colegas

Efeitos da 'dívida psicológica' afetam tanto a produtividade dos funcionários quanto sua autopercepção e a relação com os demais colaboradores — Foto: Freepik
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  • Estudo com 1.200 funcionários nos EUA e no Reino Unido aponta a chamada “dívida psicológica” associada ao uso não estruturado de IA, que reduz motivação e atrapalha a interação entre colegas.
  • A pesquisa identifica seis dimensões que podem frear a adoção de IA: cobrança cognitiva, autonomia, competência, pertencimento, credibilidade e identidade profissional.
  • Dados do levantamento mostram que quem quase não usa IA registra média de dívida de cinquenta pontos; usuários diários, trinta e seis; uso simples, quarenta e seis; uso estratégico, trinta e cinco.
  • O grupo mais afetado são profissionais com até cinco anos de experiência, com média de cinquenta e quatro pontos; quem tem mais de vinte anos registra quarenta.
  • Para reduzir a dívida, são sugeridas estratégias como fricção cognitiva, maior autonomia com transparência, redes de embaixadores, equipes multidisciplinares para validação de resultados, normalizar o uso da IA na cultura organizacional e posicioná-la como apoio à identidade profissional.

Empresas globais investem bilhões em IA para aumentar eficiência, mas estudo internacional aponta custo psicológico para funcionários. A pesquisa, publicada pela Harvard Business Review, analisou 1.200 colaboradores nos EUA e no Reino Unido.

Conduzido pelo professor Guy Champniss, da IE Business School, o estudo mostra que o uso não estruturado de IA gera uma “dívida psicológica”: impactos que reduzem motivação, limitação na adoção da tecnologia e, em alguns casos, diminuem ganhos esperados.

Os resultados indicam que trabalhadores com menor uso de IA a apresentam maior sofrimento, enquanto quem usa a ferramenta com frequência reduz o impacto negativo. Em média, a pontuação varia conforme o grau de uso, conforme a metodologia apresentada pelo pesquisador.

A pesquisa aponta ainda que profissionais em início de carreira são os mais afetados, com maior pontuação de dívida psicológica. Ao contrário, trabalhadores com mais de 20 anos tendem a apresentar menor impacto.

Seis formas de dívida psicológica

  • Dívida cognitiva: delegar tarefas complexas à IA pode reduzir a capacidade de resolução autônoma de problemas ao longo do tempo.
  • Dívida de autonomia: implementação centrada apenas em produtividade pode sugerir perda de controle, ligado ao quiet quitting e ao esgotamento.
  • Dívida de competência: tarefas antes demoradas passam a ser rápidas com IA, gerando descolamento entre entregas humanas e resultados.
  • Dívida de pertencimento: uso intenso de IA pode diminuir interações sociais no trabalho, já que a máquina não discorda nem se cansa.
  • Dívida de credibilidade: uso de IA pode criar percepção de menor credibilidade entre colegas, ainda que estes também utilizem a tecnologia.
  • Dívida de identidade profissional: a adoção pode ameaçar valores do grupo, especialmente em áreas criativas onde a geração de ideias é central.

Quem sofre mais e o que os números mostram

A escala do estudo vai de 0 a 100; quanto maior, maior o sofrimento. Quem usa IA raramente teve média de 60, já quem usa várias vezes ao dia ficou em 36. Tarefas simples com IA resultaram em 46; contextos estratégicos levantaram 35.

Profissionais com até cinco anos de carreira registraram média de 54 pontos. Usuários com mais de 20 anos chegaram a 40. Autores sugerem que jovens precisam demonstrar técnica, enquanto veteranos já possuem liderança mais estável.

O levantamento também revela um dilema: 70% dos entrevistados reconhecem relevância da IA no trabalho, mas apenas 41% associam esse reconhecimento a baixos níveis de dívida psicológica.

Caminhos para reduzir a dívida psicológica

Champniss aponta estratégias por dimensão, com exemplos de empresas:

  • Dúvida cognitiva: aplicar fricção cognitiva, exigindo hipóteses antes de recorrer à IA.
  • Autonomia: ING (Holanda) oferece informações para decisão autônoma, além de n rótulos explicativos dos modelos.
  • Competência: Microsoft criou a comunidade Copilot Champs para uso colaborativo sem pressão de avaliação.
  • Pertencimento: equipes multifuncionais revisam outputs de IA, fortalecendo integração entre áreas.
  • Credibilidade: internação da IA na cultura organizacional, como o caso da Klarna com o assistente Kiki.
  • Identidade: reposicionamento da IA como suporte à identidade profissional, exemplificado pela Philips com médicos que adotam IA para melhorar diagnóstico.

Champniss sintetiza: a adoção depende tanto de tecnologia quanto de gestão e, principalmente, de aceitação humana. Como diz o pesquisador, remédios não funcionam em pacientes que não os tomam.

Com supervisão de Lia Hama.

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