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Guerra impõe custos e pressiona o agronegócio brasileiro

Consultoria projeta queda de até quinze por cento na oferta de fertilizantes para a safra 2026/27, pressionando custos e logística no agronegócio brasileiro

Em cenários mais pessimistas discutidos pelo mercado, a redução de oferta pode chegar a 30%, cenário que elevaria ainda mais a vulnerabilidade de uma cadeia já pressionada por custos elevados, volatilidade internacional e gargalos de transporte. (Silvio Avila/AFP)
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  • A Argus prevê recuo de até 15% na oferta de fertilizantes para a safra 2026/27 no Brasil, com fosfatados mais impactados.
  • Até o fim de abril, menos de 50% do volume planejado havia sido adquirido, abaixo dos 60% do ano anterior, elevando riscos logísticos, especialmente em Paranaguá.
  • Em cenários mais pessimistas, a queda de oferta pode chegar a 30%, aumentando a vulnerabilidade da cadeia diante de custos elevados e gargalos de transporte.
  • O Brasil tem alta dependência externa: cerca de 85% dos fertilizantes importados, com aproximadamente 12% vindos do Oriente Médio e 35% da ureia dessa região.
  • Já há pressão de preços, com a ureia subindo entre 30% e 35%, e especialistas alertam para impactos em milho, soja, proteína animal e inflação; o El Niño também pode trazer incertezas logísticas.

O estudo da consultoria Argus aponta que a oferta de fertilizantes no Brasil pode recuar até 15% na safra 2026/27, impactando principalmente os fosfatados usados na soja. A projeção acontece em meio ao agravamento da guerra no Oriente Médio e ao conflito Rússia-Ucrânia.

O cenário eleva riscos para o abastecimento nacional e a logística portuária, com Paranaguá, no Paraná, entre os principais gargalos. Dados até abril mostram menos de 50% do volume previsto já adquirido, abaixo do patamar de 60% do ano anterior.

Panorama de oferta e demanda

Em cenários mais pessimistas, a queda de oferta pode chegar a 30%, acentuando pressões sobre custos, volatilidade global e transporte. A relação de troca para o produtor rural recuou aos níveis vistos no início da guerra na Ucrânia.

O Brasil depende fortemente de importações: cerca de 85% dos fertilizantes consumidos são trazidos de fora. Do total, 12% vêm do Oriente Médio, e a ureia tem origem nesse região em aproximadamente 35%.

Impactos de preço e produção

Com o conflito, a ureia registra alta entre 30% e 35%, elevando custos para produtores de milho e soja e potencialmente afetando a inflação de alimentos. A pressão também atualiza as projeções sobre margens agrícolas.

Fatores climáticos reforçam a incerteza. A possibilidade de El Niño severo na próxima janela de plantio pode piorar a logística portuária e prejudicar áreas-chave, como Sul e Centro-Oeste.

Perspectivas para a safra 2026/27

Apesar da demanda global por soja seguir resiliente, a expansão da área plantada brasileira tende a desacelerar. Margens mais estreitas e cautela do produtor preocupam o planejamento de suprimentos e de insumos para a próxima safra.

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