- Produtores nacionais contestam acusações de dumping nas importações de pneus, especialmente vindas da Índia, enquanto importadores questionam regra governamental que classifica pneus agrícolas para barrar pneus de caminhões, vans, SUVs e carrinhos de mão.
- A Secretaria de Comércio Exterior negou, em decisão provisória, a aplicação de medida antidumping sobre pneus agrícolas importados da Índia; a investigação continua.
- A indústria brasileira registrou queda de 7% nas vendas no mercado interno no primeiro trimestre de 2026, após recuo de 5,8% em 2025, com participação de pneus nacionais em 31% do mercado de reposição.
- ANIP atribui perdas à massiva entrada de produtos importados e acusações de dumping; ressalta impacto na soberania do sistema produtivo nacional de pneus.
- Importadores, por sua vez, afirmam que norma para pneus agrícolas não delimita por tipo de veículo, favorece interpretações da Receita Federal e pode ter levado a prejuízos; dados de custos permanecem sigilosos.
O setor de pneus no Brasil vive uma disputa acirrada de narrativas entre fabricantes nacionais e importadores. Enquanto a Anip acusa dumping em importações, principalmente da Índia, os importadores contestam a abrangência de regras para pneus agrícolas que estariam impedindo a entrada de pneus de caminhões, vans e SUVs.
A Secretaria de Comércio Exterior negou, de forma provisória, a aplicação de medida antidumping sobre pneus agrícolas importados da Índia, a pedido da Anip. A investigação continua e não há confirmação de nexo exclusivo entre as importações indianas e danos à indústria local.
Pontos em disputa
Fabricantes nacionais afirmam que a competição vem por meio de práticas de dumping, prejudicando o desempenho de empresas brasileiras. A Secex, porém, aponta que a queda de vendas não decorre apenas das importações indianas, mas também da retração do mercado interno de máquinas agrícolas e da própria queda nas exportações do setor.
Dados da Anip indicam retração de 7% nas vendas no varejo no primeiro trimestre de 2026, após queda de 5,8% em 2025. A participação dos pneus nacionais no mercado de reposição ficou em 31%, frente 69% de importados. Em 2019, a relação era invertida, com nacionais dominando 69%.
Questionamentos sobre regras e transparência
Importadores denunciam arbitrariedade na aplicação de regras contra pneus de uso agrícola. Eles afirmam que a norma vigente está barrando itens de caminhões, vans, SUVs e carrinhos de mão em diversos portos por critérios dimensionais, gerando interpretações subjetivas da Receita Federal.
A Abidip aponta ainda que dados usados para justificar antidumping na China permanecem sob sigilo, dificultando contestação. A associação relata prejuízos significativos por depósitos judiciais e custos logísticos, com pneus de caminhão enquadrados erroneamente como agrícolas.
Desdobramentos e próximos passos
Os importadores entraram com ações contra a União para impedir que pneus de finalidades distintas do agrícola continuem sendo impedidos de desembarcar. Além disso, a ANIP protocolou pedido na Câmara de Comércio Exterior para elevar tarifas de importação de pneus de passeio de 25% para 35%; o julgamento ainda não tem data.
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