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Murici, camu-camu e babaçu desafiam a bioeconomia da Amazônia

Plataforma Digital da Floresta organiza cadeias da bioeconomia amazônica; desafios logísticos e de capital ainda mantêm imprevisibilidade na oferta de frutos

Murici é um fruto amazônico de sabor intenso e levemente ácido
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  • A bioeconomia amazônica enfrenta gargalos de regularidade e qualidade na saída de produtos como murici, camu-camu e babaçu, mesmo com demanda em crescimento.
  • A Plataforma Digital da Floresta, criada pelo CERTI Amazônia, usa dados de produção, clima e disponibilidade de insumos para reduzir a imprevisibilidade e conectar mais de 30 cadeias produtivas da sociobiodiversidade.
  • Entre os entraves estão baixo capital de giro, limitada capacidade de processamento, acesso precário à internet, dificuldade de capacitar cooperados e logística insuficiente.
  • Ainda que haja evolução, alguns insumos registraram aumento de cerca de 10% em 2025, com expansão mais associada a empresas ligadas a laboratórios-fábrica e ao setor de alimentos e bebidas, incluindo parcerias com a Natura.
  • A plataforma oferece previsões de safra, informações logísticas e rastreabilidade para atender critérios ESG, mas a adesão no território permanece baixa frente ao potencial, com ainda existir pelo menos 25 frutos amazônicos pouco conhecidos pelo mercado.

Murici, camu-camu e babaçu aparecem como ingredientes pouco explorados na Amazônia, mas ganham espaço na bioeconomia. O desafio vai além do sabor: manter oferta estável e qualidade no mercado.

A aposta envolve uso de dados. A Plataforma Digital da Floresta, criada pelo CERTI Amazônia, organiza produção, clima e disponibilidade de insumos. Conecta mais de 30 cadeias da sociobiodiversidade, funcionando como infraestrutura do setor.

Segundo Marco Giagio, diretor do CERTI Amazônia, há crescente interesse de consumidores por sabores novos e alimentos saudáveis, o que pode ampliar cadeias produtivas da bioeconomia.

Superar gargalos estruturais é essencial. Cooperativas enfrentam baixa capacidade de processamento, capital de giro limitado, acesso precário à internet e logística deficiente, limitando saídas para o mercado.

Mesmo com obstáculos, alguns insumos registraram alta de cerca de 10% em 2025, apesar de safras abaixo da média. A demanda cresce, impulsionada pela indústria e por novas parcerias.

A Natura é apontada como um dos parceiros que mais buscam produtos da bioeconomia. A expansão depende, no entanto, de hubs de produção conectados ao que chamam de laboratório-fábrica e de novos compradores de alimentos e bebidas.

Dados da Plataforma Digital da Floresta

  • Organiza o cenário fragmentado da bioeconomia
  • Fornece indicadores de coleta e extração
  • Melhora integração com atores das cadeias produtivas

Ferramentas como o BI da Floresta e o Vem de Onde permitem acompanhar o processo: da coleta à entrega, com rastreabilidade exigida por critérios ESG. Isso reduz riscos nas negociações.

O uso mais amplo de dados pode equilibrar a principal fragilidade do setor: a imprevisibilidade da oferta. A tecnologia aparece como caminho para previsibilidade, volume e organização.

Giagio ressalta que a adesão à plataforma ainda é baixa frente ao extenso território amazônico, o que limita o impacto. Há pelo menos 25 frutos amazônicos ainda desconhecidos pelo mercado.

O desafio central permanece: transformar curiosidade sobre novos produtos em cadeias produtivas consolidadas. A biodiversidade existe, o interesse é real, a tecnologia avança; a entrega é o que falta.

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