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Agro reduz impacto da crise mundial do petróleo no Brasil

Brasil lidera na substituição de gasolina por etanol, ampliando mistura E30/32 e diesel B16, reduzindo importação de petróleo e atenuando choques externos

Iniciada com o programa Proálcool, de 1975, infraestrutura brasileira de biocombustíveis serve como proteção a choques de preço do petróleo. Modelo é "exportado" para outros países (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT Images/Gazeta do Povo)
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  • O Brasil tem uma cadeia de biocombustíveis que atua como barreira a choques do petróleo, como o fechamento do Estreito de Ormuz.
  • O país é líder em etanol, com mistura de 30% na gasolina (E30) e meta de chegar a 32% (E32), podendo deixar de importar cerca de 454 milhões de litros de gasolina por ano.
  • A ampliação da mistura eleva a demanda anual por etanol em cerca de 1,5 bilhão de litros, reduzindo a necessidade de derivados de petróleo.
  • A produção de biodiesel absorve o excedente de óleo de soja, gerando empregos e fortalecendo a indústria; projeção é de 61,8 milhões de toneladas de soja processadas em 2026.
  • A experiência brasileira em biocombustíveis é exportada, com Índia adotando metas de etanol elevado e Japão mirando E10 a 2030 e E20 a partir de 2040.

Ao longo de décadas, o Brasil consolidou uma cadeia de biocombustíveis capaz de reduzir o impacto de choques no preço e na oferta de petróleo. A atuação do etanol, pioneiro em larga escala, ajuda a mitigar crises envolvendo o Oriente Médio.

O país é líder mundial na substituição de gasolina por etanol, com 30% de etanol anidro na gasolina. A medida, anunciada no fim de abril, depende de avaliação do CNPE para entrar em vigor. O objetivo é ampliar a autossuficiência energética.

A crise no Oriente Médio elevou o preço do barril Brent de 72,48 US$ para 126 US$, com recuo recente para cerca de 100 US$. A inflação em países dependentes de energia acelerou; EUA e Europa registram pressões inflacionárias associadas ao petróleo.

Nos Estados Unidos, a gasolina chegou a 4,30 US$ por galão no fim de abril, alta de 44% desde o início do ano. O diesel também subiu, elevando custos de energia e contribuindo para um cenário de estagflação. A TANDE com o etanol é tema de política energética.

Na Europa, a inflação na Zona do Euro atingiu 3% em abril, com o grupo de energia subindo 10,9%. O BCE revisou projeções de inflação e crescimento, ajustando expectativas para 2026. Com isso, cresce o debate sobre maior participação de biocombustíveis na matriz.

Com o aumento da mistura de etanol de 27% para 30%, o consumo anual de etanol deve subir, reduzindo a demanda por petróleo. O governo calcula que ampliar para 32% pode reduzir em 454 milhões de litros as importações de gasolina por ano.

O setor estima impactos positivos na geração de empregos e na economia. Cada ponto percentual adicional de biodiesel pode gerar milhares de vagas, segundo entidades do segmento. O etanol responde pela diversificação da matriz energética.

A produção brasileira já contempla etanol de cana, milho e soja. Milho e soja ganham espaço, com empresas testando etanol a partir de excedentes dessas culturas, ampliando a oferta sem pressionar a produção de alimentos.

Essa trajetória remete ao Proálcool, criado em 1975, em resposta ao primeiro choque do petróleo. O programa moldou o setor por décadas, sobrevivendo a crises e ganhando nova escala com motores flex a partir de 2003.

Brasil e aliados já exportam conhecimento. Índia planeja metas de E20 e avanços para E85, com cooperação técnica brasileira. Japão firma memorando para adoção de E10 até 2030 e expansão para E20 nos próximos anos.

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