- A Associação da Indústria de Carnes de Tianjin anunciou a compra de 50 mil toneladas de carne bovina brasileira certificada e livre de desmatamento até o final do ano, representando 4,5% das exportações brasileiras para a China neste ano.
- A carne será vendida com o selo “Beef on Track” de rastreabilidade, e importadores de Tianjin estão dispostos a pagar 10% a mais por fazendas comprovadamente livres de desmatamento e trabalho escravo.
- A iniciativa ocorre em meio a sinais da China de agir para reduzir o impacto ambiental do comércio e a uma atuação de empresas como a COFCO para eliminar desmatamento em suas cadeias de suprimentos.
- A China impôs cotas de importação de carne bovina para proteger a indústria nacional; a cota estimada é de 1,1 milhão de toneladas neste ano, e importações acima disso podem enfrentar imposto de 55%.
- Desafios incluem a fragilidade do sistema de rastreabilidade brasileiro e críticas da Abiec a eventuais novos selos, que podem criar entraves sem infraestrutura pública adequada; ainda não há anúncios de adoção pelos frigoríficos brasileiros.
A Associação de Tianjin planeja importar apenas carne bovina brasileira certificada, livre de desmatamento, para atender uma nova classe média chinesa cada vez mais exigente. A iniciativa envolve a liderança de Xing Yanling, que visitou a Amazônia em abril e descreveu a experiência como envolvente. O objetivo é chegar a 50 mil toneladas até o final do ano com selo de rastreabilidade.
Os importadores de Tianjin representam cerca de 40% das compras de carne bovina brasileira pela China. O acordo prevê que a carne seja vendida com o selo Beef on Track, criado pela ONG Imaflora, demonstrando rastreabilidade e conformidade com desmatamento zero. O custo adicional estimado é de 10% para fornecedores certificados.
Segundo a estratégia, essa demanda pode sinalizar uma disposição chinesa de pagar mais por cadeias de suprimento sustentáveis, desafiando a ideia de que apenas o preço importa para os agricultores brasileiros. A China já atua para reduzir impactos ambientais do comércio, com leis florestais desde 2019 e compromissos com o Brasil para combater o desmatamento ilegal.
A proposta chega em momento de preocupação com a relação entre carne bovina e desmatamento no Brasil. Dados do MapBiomas indicam que parte significativa do desmatamento resulta em pastagens para gado. Analistas destacam que a carne brasileira tem maior associação com esse desmatamento entre as commodities agrícolas importadas pela China.
Embora haja interesse, o sistema de rastreabilidade brasileiro ainda é visto como frágil por promotores e setores exportadores. Há relatos de possibilidade de fraudes no transporte de gado, o que pode atrasar a implementação do programa de Tianjin, especialmente se a quota de importação de 1,1 milhão de toneladas for atingida.
Durante a visita à Amazônia, a delegação visitou a fazenda Carioca, em Castanhal, onde discutiu agregação de valor para a carne. O fazendeiro Altair Burlamaqui recebeu a proposta com cautela, reconhecendo o potencial de mercado e o desafio de atender a demanda chinesa por sustentabilidade e rastreabilidade.
A Abiec, associação exportadora brasileira, manifestou reservas sobre a nova certificação, ressaltando a necessidade de diálogo com sistemas já existentes para evitar sobreposição de exigências. A entidade também citou a necessidade de infraestrutura pública para implementação, sem adiantar respostas sobre adesão de frigoríficos.
O governo chinês mantém cotas de importação para proteger a indústria nacional, o que pode impactar o ritmo de aquisição de carne certificada pelo Tianjin. Caso a cota seja extrapolada, há aplicação de imposto de 55% sobre novas importações, fator relevante para o custo final.
A iniciativa também destaca o interesse por inovação na rastreabilidade, já utilizada em outros setores, como ovos com códigos QR. A certificação pode ampliar opções de consumo para quem busca produtos com origem ambiental verificável, sem abrir mão da segurança alimentar.
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