- O Bitcoin caiu até a região dos US$ 60 mil no início de fevereiro, após ter passado perto de US$ 126 mil em 2025.
- Três pilares de demanda ajudam a sustentar a recuperação: investidores de longo prazo, empresas com tesouraria em BTC e ETFs à vista nos EUA.
- Long-Term Holders (investidores de longo prazo) passaram de 14,44 milhões para 14,81 milhões de bitcoins entre 13 de fevereiro e 5 de maio de 2026, alta de cerca de 369 mil unidades.
- DATs (empresas com Bitcoin na tesouraria), especialmente a Strategy, cresceram de aproximadamente 714 mil bitcoins em 13 de fevereiro para mais de 818 mil em maio, aumento de cerca de 103 mil em menos de três meses.
- ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos registraram entradas líquidas próximas de US$ 5 bilhões, equivalentes a cerca de 70 mil bitcoins, elevando o total absorvido entre 13 de fevereiro e 5 de maio para 543 mil BTC, com mineração gerando cerca de 36 mil bitcoins no mesmo período.
O início de 2026 marcou uma recuperação expressiva do Bitcoin após atingir máximas de até US$ 126 mil em 2025. No começo de fevereiro, a cotação caiu para a região dos US$ 60 mil, entrando em correção.
Mesmo com pressão macro e geopolítica, o mercado mostrou resistência histórica. Três pilares de demanda aceleraram a acumulação: investidores de longo prazo, tesouraria corporativa em BTC e ETFs à vista nos EUA.
Entre 13 de fevereiro e 5 de maio de 2026, o saldo dos Long-Term Holders aumentou de 14,44 milhões para 14,81 milhões de bitcoins, alta de cerca de 369 mil unidades.
A estratégia de tesouraria de empresas com BTC, chamada DATs, manteve a trajetória de compra forte. A Strategy passou de 714 mil bitcoins em 13 de fevereiro para mais de 818 mil em maio, adicionando cerca de 103 mil bitcoins.
Os ETFs à vista de Bitcoin nos EUA também contribuíram para a demanda. Nesse período, registraram entradas líquidas de aproximadamente US$ 5 bilhões, equivalentes a cerca de 70 mil bitcoins absorvidos pelo mercado.
No conjunto, investidores de longo prazo, ETFs e a Strategy somaram cerca de 543 mil bitcoins entre 13 de fevereiro e 5 de maio, enquanto a mineração gerou cerca de 36 mil unidades novas.
Isso indica que esse trio de pilares absorveu mais de 15 vezes a emissão líquida de bitcoins no intervalo, evidenciando um diferencial em relação a ciclos anteriores.
Ciclo diferente dos anteriores
A dinâmica atual sugere um mercado menos dependente do varejo e mais apoiado por players com horizontes de investimento mais longos e estratégias estáveis.
Com isso, a recuperação de preço pode se tornar gradual, com quedas menos intensas e de menor duração diante de pressões externas. A volatilidade permanece, mas com oferta mais bem absorvida.
Entre fevereiro e maio, o Bitcoin saltou de perto de US$ 60 mil para acima de US$ 80 mil, alta superior a 30% em três meses, impulsionada pela demanda dos três pilares.
O panorama indica que 2026 traz uma maturidade maior no comportamento do mercado, ainda que sujeito a cenários geopolíticos, macroeconômicos e à liquidez global.
Sobre o autor
Pedro Fontes é graduando em economia na UFRJ e finalista do CFA Challenge Brasil. Iniciou no mercado cripto em 2021 e hoje integra a equipe de analistas do MB.
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