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Canetas emagrecedoras redesenham o agronegócio global

GLP-1 redesenha o agronegócio global: menos calorias, mais proteína e valorização de carne e ração, com Brasil na dianteira

Consumo de proteínas tende a aumentar e de açúcares, cair
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  • Medicamentos GLP‑1, como semaglutida e tirzepatida, devem reduzir calorias e redesenhar o agronegócio, com foco maior em proteína animal, milho, farelo de soja e itens funcionais.
  • A expectativa é de que mais de 100 milhões de pessoas usem agonistas GLP‑1 até o fim da década, com queda de preços prevista a partir de 2026 devido a genéricos e biossimilares.
  • Consumidores sob GLP‑1 tendem a adoquir refeições menores e mais nutritivas, o que favorece frango, ovos e proteínas premium, além de produtos proteicos de conveniência.
  • O Brasil aparece em posição privilegiada pela força em soja, milho, frango, bovinos e ingredientes proteicos, com empresas nacionais já adaptando portfólios.
  • Além de proteínas, o estudo aponta crescimento de milho e farelo de soja pela maior demanda de ração, e destaque para os Smart Foods, com margens maiores que as commodities tradicionais.

O mercado global de agronegócio pode passar por uma transformação silenciosa com o avanço dos GLP-1, medicamentos que reduzem o apetite e elevam a saciedade. Em estudo da Cogo Inteligência em Agronegócio, esses fármacos devem redesenhar padrões de consumo, impactando sobretudo proteína animal, milho, farelo de soja e alimentos funcionais. A mudança é vista como estrutural, que vai além da indústria farmacêutica.

O relatório indica que, mesmo com queda no total de calorias, o efeito líquido para o setor tende a ser positivo. O Brasil surge em posição favorável por força de soja, milho, frango, bovinos e ingredientes proteicos, segundo a análise. A transição para dietas proteicas é apontada como motor de crescimento para o agro brasileiro no médio e longo prazo.

O estudo projeta aceleração global de dietas mais proteicas, com menor participação de ultraprocessados. Nos EUA, 18 milhões de pessoas já utilizam GLP-1, número que deve crescer até 2030 com a possível queda de patentes em 2026 e aumento de acesso com genéricos e biossimilares.

A disseminação dos medicamentos pode elevar o consumo de proteínas de alta densidade nutricional, reduzindo o volume de alimentos ultraprocessados. Entre os setores mais pressionados estão snacks ultraprocessados, refrigerantes, redes de fast food e cereais refinados.

Frango surge como principal beneficiário, pela combinação de baixo teor de gordura, boa proteína e preço, com expansão prevista em cortes porcionados e produtos prontos. O Brasil, maior exportador de frango, aparece como potencial receptor desse crescimento, com empresas nacionais ajustando portfólios.

Os ovos também aparecem entre os grandes vencedores, com expansão de demanda por versões premium e funcionais, incluindo ovos enriquecidos e snacks prontos para consumo. O relatório aponta maior valorização de proteínas na carne bovina, com foco em cortes especiais e produtos de conveniência.

Milho e farelo de soja ganham impulso por meio da demanda de ração animal, que representa parcela significativa na alimentação de aves e suínos. Em cenários de crescimento, o milho pode avançar entre 3% e 10%, e o farelo de soja entre 4% e 12%.

Além disso, o estudo destaca os Smart Foods, alimentos com maior saciedade, alto teor proteico e baixo índice glicêmico. Esses itens teriam margens superiores às commodities tradicionais, estimulando investimentos em proteína isolada de soja, laticínios funcionais e snacks saudáveis.

Nos Estados Unidos, o segmento de Smart Foods já cresce acima de 12% ao ano. A disseminação dos GLP-1 tende a acelerar esse ritmo, com potencial impacto a partir do Brasil conforme o acesso se amplia e as categorias se reinventam.

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