- A Guiana, de economia em rápido crescimento, já produz mais de 920 mil barris de petróleo por dia e mira 1 milhão para 2026, impulsionada pelo fechamento do estreito de Ormuz.
- O preço do petróleo subiu, com média diária em torno de US$ 108 desde o início do conflito, frente a cerca de US$ 62 antes da guerra, aumentando as receitas do país.
- Estima-se que as receitas com petróleo aumentem cerca de US$ 4 bilhões neste ano comparadas às projeções do início de 2026, com impacto sobre a produção prevista para 2026.
- O modelo de partilha de lucros favorece as empresas no recuo de investimentos (75%), a Guiana fica com 14,5% até que haja recuperação dos recursos, depois passa a 50% dos lucros mais 2% de royalties; o país mantém um Fundo de Recursos Naturais já com valores próximos de US$ 3,8 bilhões.
- Apesar do boom, há inflação, elevações de preços de gasolina e alimentos; há preocupações com transparência na gestão dos recursos e com atrasos em projetos que podem acentuar desigualdades.
A Guiana registra um aumento expressivo de receita com o petróleo, impulsionado pela elevação de produção e pela alta dos preços após o fechamento do estreito de Ormuz, no contexto da guerra no Oriente Médio. O país passa a destacar-se como potencial petroestado.
A produção de petróleo bruto guianense já supera 920 mil barris por dia, segundo dados de especialistas, com projeção de atingir próximo de um milhão de barris diários em 2026. A média do Brent, antes em torno de US$ 62, sobe para cerca de US$ 108 desde o início do conflito.
Segundo análises, o ganho de receita é reforçado pela alta de preços e pela expansão planejada da produção. A guianense vê o total de receitas petrolíferas aumentar, estimando-se incremento de bilhões de dólares neste ano em relação a previsões anteriores.
Situação financeira e repartição de ganhos
O governo guianense obtém maior espaço de manobra com o aumento dos preços, que eleva as receitas do setor e reforça o Fundo de Recursos Naturais, criado para orientar gastos com desenvolvimento. As receitas seguem contrato de partilha com as empresas.
Entretanto, grande parte dos lucros permanece com as petrolíferas devido aos acordos de exploração, que prevêem recuperação de investimentos antes da distribuição plena dos lucros ao governo. Mesmo assim, o país recebe participação anual em torno de 14,5%.
O governo de Georgetown tem uso limitado dos recursos: há um Fundo de Recursos Naturais com regras sobre aplicação, priorizando obras de infraestrutura e serviços básicos para o desenvolvimento de longo prazo. Em 2026, o fundo acumulava dezenas de bilhões de dólares.
Desafios sociais e gestão pública
A expansão do setor elevou a construção de moradias e infraestrutura, com reflexos positivos no emprego. Ainda assim, a inflação global e o custo de insumos atingem a população, aumentando o preço de alimentos e combustíveis.
Especialistas ressaltam a necessidade de transparência na gestão dos recursos e de evitar gargalos de investimentos, como em projetos de gás destinado à geração de eletricidade, que podem sofrer atrasos com custos adicionais elevados.
Além do efeitos macro, persiste o desafio de reduzir desigualdades. Embora o PIB tenha crescido, boa parte da população ainda enfrenta pobreza, e o desenvolvimento humano continua exigindo políticas de inclusão e assistência.
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