- O senador Chris Van Hollen propõe um projeto de lei que corta impostos para quem ganha até US$ 80,5 mil (solteiro) ou US$ 161 mil (casado), financiado por oneração adicional a quem ganha mais de US$ 1 milhão.
- Segundo o modelo de orçamento Penn-Wharton, a classe média estaria, em média, a economizar cerca de US$ 1.500 em 2026, enquanto os 0,1% mais ricos veriam aumento médio de impostos em US$ 1,2 milhão.
- A ideia busca responder aos cortes de impostos promovidos por Donald Trump, mas é criticada por que pode comprometer o contrato social e a capacidade de financiar serviços públicos.
- Em uma comparação internacional, apenas seis dos 38 países da OECD arrecadam menos imposto em relação ao PIB que os Estados Unidos; o modello sueco, embora mais “traçado”, financia grande parte de sua receita pública por meio de tributos e transferências.
- Estudos indicam que redistribuição via transferências governamentais é o motor principal da redução da desigualdade (em torno de 90%), enquanto impostos respondem por parte menor; nos EUA, o impacto da redistribuição é mais limitado.
O peso da agenda fiscal começa a redefinir o debate político nos Estados Unidos após a derrota nas urnas de 2024. A ideia de ampliar cortes de impostos já é tema recorrente entre democratas, com avaliações sobre como responder aos apelos de elevação de tributos e serviços públicos.
Um projeto de lei apresentado pelo senador Chris Van Hollen, de Maryland, propõe reduzir impostos para quem ganha até US$ 80,5 mil (US$ 161 mil para casais). O hue de recursos seria compensado por uma sobretaxa para rendas acima de US$ 1 milhão, ao longo de 10 anos.
Segundo a modelagem do Penn-Wharton Budget Model, a medida reduziria em média US$ 1,5 mil a dívida de imposto de famílias de renda média em 2026, financiando a menor tributação com aumentos para os 0,1% mais ricos, em média US$ 1,2 milhão a mais.
A proposta conta com o apoio de Bernie Sanders, de Vermont, e é vista como forma de pressionar o Partido Republicano no tema de cortes de impostos, herdado do governo anterior de Donald Trump. A estratégia busca equilíbrio entre auxílio à classe média e financiamento público.
Entretanto, analistas alertam que esse movimento pode comprometer a capacidade do Estado de promover redistribuição de renda, essencial para reduzir desigualdades. Em estudos, a transferência de renda tem efeito maior na redução da pobreza do que a carga tributária.
Dados da OCDE apontam que os EUA arrecadam uma parcela do PIB próximo da média histórica, mas gasto com seguridade social e Medicare cresceu nos últimos anos, enquanto a fatia destinada a outras funções públicas caiu. A discussão envolve recursos para serviços, saúde e transferências.
Especialistas lembram que a relação entre progressividade tributária e redução da desigualdade não é direta. Pesquisas indicam que, desde 1980, transferências governamentais respondem por grande parte da queda na desigualdade, enquanto impostos têm efeito menor.
Além disso, o debate destaca a diferença entre modelos de redistribuição. Em termos de pobreza, a comparação com países como a Suécia mostra impactos fortes de gastos públicos. A Suécia, com maior participação de tributos, tem menor taxa de pobreza, segundo a OCDE.
O desafio para os democratas é equilibrar ganhos de parcela da população com sustentabilidade fiscal. A atual conjuntura política, com pesquisas de apoio ao governo sob pressão, oferece espaço para discutir propostas mais ambiciosas, sem abandonar a solvência fiscal.
Especialistas ressaltam ainda que, no Brasil da comparação, o desenho de políticas públicas exige robustez de arrecadação para manter serviços básicos. Nos EUA, o foco permanece em como redistribuir renda de forma eficaz sem reduzir drasticamente o investimento público.
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