- A demanda global por pistache está em alta, transformando o produto em ativo geopolítico entre EUA e Irã; EUA lideram a produção, enquanto o Irã perde espaço devido a sanções e crise hídrica.
- Os Estados Unidos respondem por cerca de sessenta e cinco por cento da produção global e metade das exportações, com a Califórnia sozinha movimentando cerca de US$ três bilhões em dois mil e vinte e três.
- O Irã ainda exporta por via terrestre para Turquia, Rússia e Azerbaijão, mas as vendas por mar enfrentam custos maiores por causa do estreito de Ormuz.
- A demanda impulsiona preços: a libra de pistache subiu de US$ 7,65 para US$ 10,30 em um ano, com o “chocolate de Dubai” ajudando a elevar o consumo.
- Israel entra na disputa, investindo em produção própria no deserto do Neguev para reduzir a dependência do Irã, com projetos no Mashkit e estudos nas Colinas de Golã.
O mercado de pistache, conhecido como o “ouro verde”, tornou-se uma arena de disputa entre Estados Unidos e Irã. A mudança ocorre em meio a consumo global em alta, sanções e tensões no Oriente Médio, impactando produção, exportação e preços.
Os EUA assumem a liderança na produção de pistache, enquanto o Irã perde espaço sob sanções e crises hídricas. Hoje, os americanos respondem por cerca de 65% da produção global, com metade das exportações. O Irã fica em segundo, com ~20%.
A demanda elevada pressiona os preços. O mercado também enfrenta escassez e valorização acelerada, em parte pela popularização de produtos como o creme de pistache. No Irã, as exportações por vias marítimas enfrentam custos crescentes devido a tensões regionais.
Produção, exportação e logística
Do Irã, parte das vendas ocorre por via terrestre para Turquia, Rússia e Azerbaijão. Exportações marítimas enfrentam custos adicionais surgidos com o estreito de Ormuz, elevando o preço logístico. A partir de Bandar Abbas, o país segue para a União Europeia e Reino Unido, sob pressão operacional.
A Califórnia tornou-se referência global desde os anos 1980, impulsionada pela indústria liderada pela The Wonderful Company. Em 2023, a produção da região movimentou cerca de US$ 3 bilhões. Hoje, a participação norte-americana na produção global atinge cerca de 65%.
Preços, mercado e novos atores
O aumento da demanda interna e internacional elevou o preço da libra de pistache, registrado em alta considerável nos últimos meses. O lucro de revenda depende de estoques, já que novas saídas de produção mantêm o mercado sob pressão.
Israel entra na disputa pelo “ouro verde” com investimentos internos para reduzir dependência do Irã. Projetos no deserto do Negev, como Mashkit, exploram técnicas vindas da Califórnia, com perspectivas de expansão nas Colinas de Golã.
A produção de pistache continua a ser instrumento estratégico para políticas comerciais e de segurança alimentar. Consumidores em todo o mundo percebem o fruto seco como item cotidiano, enquanto o mercado internacional permanece atento às mudanças geopolíticas que o cercam.
Entre na conversa da comunidade