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Brasil pode aproveitar guerra comercial, diz sócio da McKinsey

Brasil pode lucrar com a guerra comercial antes de envelhecer, afirma sócio da McKinsey, por manter negociação com todos os lados na nova geopolítica

Brasil reúne ativos que o mundo passou a considerar estratégicos, diz Ferreira
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  • Nelson Ferreira, sócio sênior da McKinsey, afirma que o Brasil pode se beneficiar da nova configuração geopolítica global, mantendo diálogo com todos os lados ao mesmo tempo.
  • Em São Paulo Innovation Week, Ferreira aponta que o Brasil tem uma “última oportunidade de ficar rico antes de ficar velho”, devido ao envelhecimento da força de trabalho na região.
  • O relatório da McKinsey aponta que o comércio mundial está valorizando tecnologia, serviços digitais e produtos de maior complexidade, além de ficar menos dependente de apenas eficiência.
  • O Brasil é visto como posição privilegiada por possuir ativos estratégicos (energia renovável, commodities, minerais críticos) e por uma diplomacia menos polarizada, mas ainda depende fortemente de commodities.
  • O alerta é para a estagnação do parque industrial brasileiro e um acordo entre Mercosul e União Europeia considerado desatualizado, ainda que haja oportunidades em biocombustíveis, mineração e agricultura.

O Brasil pode aproveita r a nova configuração geopolítica para ampliar ganhos na economia, segundo Nelson Ferreira, sócio sênior da McKinsey. Em palestra no São Paulo Innovation Week, ele destacou que o País tem condições de negociar com diversas frentes ao mesmo tempo.

Ferreira afirma que a América Latina enfrenta uma janela de oportunidade. Um estudo da McKinsey aponta crescimento regional de 2,3% ao ano nas últimas duas décadas, menor que a média global, com força de trabalho em envelhecimento a partir de 2040.

Contexto geopolítico

Segundo o material da McKinsey, o comércio global deixou de depender apenas da eficiência e passou a seguir linhas políticas. A guerra entre Estados Unidos e China provocou deslocamento de centenas de bilhões de dólares em comércio para fora do eixo tradicional em 2025, abrindo espaço para o Brasil.

O sócio da consultoria diz que o Brasil é um dos poucos países grandes capaz de negociar com todos os lados simultaneamente, num movimento em que o comércio se aproxima de parceiros politicamente alinhados. A visão é de que a distância geográfica cresce, porém a cooperação econômica aumenta.

Oportunidades e riscos

Ferreira aponta que as cadeias globais se concentram em tecnologia e serviços de maior complexidade, como IA, software, semicondutores, computação em nuvem e eletrônicos. O Brasil, porém, ainda depende fortemente de commodities, o que gera alerta sobre desalinhamento com a nova economia.

Entre os destaques, o Brasil tem exportação de aviões como exceção de maior valor agregado. O especialista ressalta a necessidade de ampliar participação em setores de alta tecnologia para reduzir vulnerabilidades frente a mudanças de demanda global.

Gargalos e caminhos

O tema dos choke points ganhou relevância, indo além de rotas marítimas para abarcar chips, minerais críticos, data centers e infraestrutura. Em 2025, equipamentos de IA responderam por aproximadamente um terço do crescimento do comércio mundial, o que impacta indústria, agricultura e energia no Brasil.

Ferreira cita minerais críticos, fertilizantes e disponibilidade de energia estável como componentes-chave para manter competitividade. O País tem vantagem em energia renovável e produção agrícola em escala, mas precisa fortalecer a base industrial para acompanhar a nova configuração global.

Desafios internos

O estudo aponta que a estagnação do parque industrial brasileiro é um entrave relevante. O acordo entre Mercosul e União Europeia, visto como útil, é considerado desatualizado frente a um cenário em que a China passou a ocupar protagonismo comercial. A transição energética, biocombustíveis, mineração e agricultura aparecem como diferenciais potenciais diante dessa conjuntura.

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