- A parceria entre EUA e Brasil em terras raras ficou evidente em reunião na Casa Branca, com promessas de laços mais estreitos.
- A USA Rare Earth concordou em pagar US$ 2,8 bilhões pelo Grupo Serra Verde, único produtor de terras raras em escala comercial no Brasil.
- O Brasil possui grandes reservas, mas enfrenta gargalos regulatórios, licenciamento ambiental demorado e resistência social que atrapalham a expansão do setor.
- Debates legislativos e o nacionalismo de recursos podem atrasar projetos, mesmo com interesse americano em reduzir a dependência da China.
- Para avançar, o país precisa de infraestrutura, marcos regulatórios estáveis e maior participação do setor privado na cadeia de suprimentos de terras raras.
A cooperação entre os EUA e o Brasil sobre terras raras ganhou destaque após reunião bilateral na Casa Branca na semana passada, com promessas de alinhamento estratégico. A parceria entre o governo americano e a administração de Luiz Inácio Lula da Silva é apresentada como peça para reduzir a dependência de fornecedores externos e ampliar o acesso a minerais críticos.
Para Washington, o objetivo é sinalizar aos adversários geopolíticos que a América Latina pode ampliar a participação em cadeias de suprimento sensíveis, especialmente em um contexto de competição com a China. O tema ganhou peso em meio a viagens estratégicas e a busca por garantir fornecimentos estáveis.
O caso emblemático foi o acordo envolvendo a empresa USA Rare Earth e o Grupo Serra Verde, que atua como único produtor brasileiro em escala comercial de terras raras. A operação, anunciada em abril, envolve pagamento em dinheiro e ações e reforça o interesse de ampliar a capacidade de exploração e processamento no Brasil.
No Brasil, porém, as perspectivas convivem com limitações estruturais. Mesmo com reservas significativas, o setor enfrenta obstáculos regulatórios, licenciamento ambiental demorado e tensões entre interesses locais e nacionais. A burocracia pode atrasar novos empreendimentos por anos.
Especialistas destacam ainda o histórico de desinvestimentos e oscilações de preço, que alimentam a cautela de investidores. Além disso, o país enfrenta resistência de comunidades locais e preocupações com impactos ambientais, que elevam o escrutínio regulatório.
A gestão pública também entra em cena com propostas que aumentam o controle sobre recursos e cadeia de suprimentos. Embora o interesse em reduzir dependência externa seja reconhecido, há dúvidas sobre a rapidez e a viabilidade de transformar o Brasil em grande fornecedor de terras raras no curto prazo.
Olhando para o futuro, analistas apontam que o sucesso depende de ações coordenadas: infraestrutura, formação de mão de obra qualificada e marcos regulatórios estáveis. O exemplo privado da CBMM, na produção de nióbio, é citado como modelo de participação privada bem-sucedida.
O jornalismo econômico mantém o foco em como a parceria pode evoluir, sem assumir resultados antecipados. Caso persista a distância entre ambições geopolíticas e a prática regulatória, o avanço do setor poderá seguir lento, mesmo com incentivos internacionais.
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