- O IPCA de abril ficou em 0,67%, menor que março (0,88%), conforme o IBGE.
- Em doze meses, a inflação atingiu 4,39%, próximo do topo da meta de 4,5%.
- Alimentação subiu 1,34% em abril, contribuindo com 0,29 ponto percentual; gasolina caiu de 4,59% em março para 1,86% em abril, gerando 0,1 ponto na inflação.
- Os economistas destacam que o choque do petróleo, aliado ao El Niño, pode manter a inflação pressionada e tornar a alimentação um vetor de alta em 2026.
- Há expectativa de que a inflação atinja ou ultrapasse o teto da meta já em maio, com o BC mantendo juros elevados e cautela para novo ciclo de cortes.
O IPCA de abril ficou em 0,67%, segundo o IBGE, desaceleração frente a março (0,88%). Mesmo com o resultado, especialistas veem risco de reversão lenta da inflação, diante de choques recentes e do peso de alimentos.
O indicador anual subiu para 4,39%, próximo do teto da meta de 4,5%. O grupo alimentos e bebidas subiu 1,34% em abril, contribuindo com 0,29 ponto porcentual. Gasolina recuou de 4,59% em março para 1,86% em abril.
O petróleo alto e o recente conflito geopolítico ampliaram pressões inflacionárias, impactando a trajetória prevista para 2026. O efeito é visto também no custo de frete, embalagens e insumos agrícolas, elevando a inflação de alimentos.
Perspectivas para inflação e petróleo
Mesmo com possível queda do petróleo, o ajuste de preços deve demorar a reverter. Além disso, o início do El Niño pode reduzir a oferta de alimentos este ano, pressionando valores agregados.
A intensa variação na alimentação eleva o peso do grupo no IPCA, influenciando toda a inflação. Profissionais apontam que choques no setor elétrico também aumentam as projeções para 2026.
Analistas destacam que a inflação pode superar o teto já em maio. A sinalização aponta para patamares acima de 4,5% até o fim do semestre, em meio a pressão de serviços e bens.
Núcleos, serviços e câmbio
Economistas do Santander destacam que medidas de núcleo surpreenderam para cima, indicando piora do cenário inflacionário. Gasolina e serviços subjacentes explicam parte da alta, segundo projeções.
Surpresas positivas e negativas nos núcleos, especialmente em serviços, reforçam o desafio de manter a inflação na meta. Investidores acompanham o repasse do choque do petróleo para o restante do ano.
O mercado de trabalho aquecido e o repasse de choques de petróleo são vistos como fatores que dificultam a condução da política monetária. Em especial, pressões em serviços e mão de obra elevam o núcleo da inflação.
Política monetária e expectativas
Especialistas apontam que o recuo parcial da Selic não resolve inflação impulsionada pela demanda. A alta recente do dólar ajudou a conter pressões, mas a confiança na política monetária segue baixa.
Especialistas destacam que a atuação do Banco Central depende de oferta de petróleo e clima, entre outros fatores. A cautela persiste, com possíveis dificuldades para novo ciclo de cortes na taxa básica.
Entre na conversa da comunidade