- O setor de Geração Distribuída (GD) no Brasil enfrenta crise causada pelo crescimento explosivo, subsidial e desordenado, que levou a desequilíbrios entre produção de GD e usinas centrais.
- Em 2025, o excesso de energia injetada pela GD provocou curtailment (cortes de produção) em usinas centralizadas, com prejuízos estimados de R$ 6,5 bilhões envolvendo cerca de 1.500 usinas.
- Mudanças regulatórias a partir de 2023 reduziram benefícios da GD2, e, em 2026, projetos passaram a pagar 60% do Fio B (tarifa de uso da rede), diminuindo margens e tornando as fazendas solares menos atrativas.
- A situação estimulou surgimento de startups de M&A de fazendas solares endividadas, como a Draives, que oferece plataforma de diligência e conexão entre ativos de GD e compradores ou comercializadoras.
- Especialistas sugerem medidas como controle da GD via sistemas de distribuição (DSO), medidores inteligentes, nova lógica de compensação de energia e maior fiscalização de geração irregular para recompor equilíbrio entre geração, transmissão e demanda.
O setor elétrico brasileiro vive uma crise causada pela expansão acelerada da Geração Distribuída (GD), principalmente solar, impulsionada por subsídios. A GD cresceu sem coordenação, gerando excesso de oferta e efeitos negativos na remuneração de usinas centrais.
A mudança regulatória de 2022 reduziu benefícios para projetos de GD conectados a partir de 2023, prática que passou a onerar faixas de micro e mini geração. Em 2026, as plantas passaram a pagar 60% do Fio B, elevando custos e comprimindo margens.
O impacto se revela em várias frentes: quedas de receitas, travamento de investimentos e dificuldades de comercialização de energia. Associação entre subsídios, demanda irregular e distorções de preço contribui para o cenário de incerteza no setor.
Em 2025, o setor registrou prejuízo acumulado de cerca de R$ 6,5 bilhões entre 1.500 usinas renováveis, consequência direta do desencontro entre GD e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O saldo evidencia a falta de controle da GD sobre a rede.
Limites do modelo e contradições
Especialistas destacam que a GD amplia a eletricidade produzida perto do consumo, mas cresce sem compensação adequada para grandes geradoras. A falta de coordenação com o ONS foI o principal motor do curtailment, com cortes médios de 20% na produção de usinas centralizadas.
A reguladora Aneel classifica projetos de GD por tamanho, dividindo micro, mini e fazendas solares, o que complica a visão integrada do sistema. A perspectiva de maior participação residencial contrasta com menor atratividade econômica das fazendas existentes.
A oposição à atual lógica de compensação energética e a necessidade de novas tecnologias aparecem como saídas apontadas por especialistas. Medidores inteligentes, redefinição de remuneração e o papel de operadores independentes são citados como caminhos potenciais.
Propostas para avançar
Entre as propostas, está a criação de um processo competitivo de curtailment remunerado pelo ONS, para reduzir cortes compulsórios. Outra opção é o modelo DSO, com governança separada para gerenciar a GD sem conflito de interesse.
A substituição de medidores por equipamentos digitais e o redesenho da matemática de compensação podem reduzir distorções. O armazenamento com baterias é considerado, mas ainda carece de clareza regulatória sobre tarifas de uso da rede.
Investidores e entidades de consumo sugerem ampliar leilões de transmissão e adotar agenda de eficiência para fazendas solares, visando reduzir o fosso entre retorno esperado e custo efetivo dos ativos.
Caminhos de mercado
A Draives, startup de André Figueiredo, atua em M&A de ativos de GD, estruturando dados e data rooms para facilitar negócios com fazendas solares de porte médio e pequeno. O modelo já envolve compradores e comercializadoras de GD.
A empresa aponta que o mercado de venda de ativos está aquecido, com ativos subutilizados ou mal estruturados passando a exigir governança e documentação adequadas. Em 2024-2025, houve aumento de processos de fusão e aquisição no setor.
Além disso, clientes fora do setor elétrico começam a surgir, como concessionárias de rodovias e de saneamento, além do agronegócio, que buscam reduzir custos energéticos com ativos de GD mais acessíveis.
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