- Leonard vê sete campos de batalha que vão redefinir a economia global: economia, tecnologia, energia e clima, migração, saúde, política e militarismo.
- Economia: a guerra econômica já chegou antes da militar; tarifas, controles e sanções mostram o Estado como principal agente, com o dólar ainda concentrando grande parte dos pagamentos internacionais.
- Tecnologia: a disputa EUA versus China é central, com Taiwan produzindo a maior parte dos semicondutores avançados e a Nvidia dominando grande parte do mercado de IA, fragmentando fluxos de inovação.
- Energia e clima: a transição para energia limpa coloca quem controla minerais estratégicos, como terras raras, em posição de força na economia global.
- Brasil em vantagem: o país pode se beneficiar em mineração, segurança alimentar, fintechs e infraestrutura de pagamentos digitais, desde que se adapte às novas dinâmicas globais.
Durante a Brazil Week, o Citi convidou Mark Leonard, diretor do Conselho Europeu de Relações Exteriores, para debater transformações geopolíticas e o fim da ordem liberal. O evento ocorreu em Nova York na tarde de 12 de maio.
Leonard defende que não vivemos apenas uma era de desordem, mas de unorder, em que normas passaram a ser irrelevantes. O pesquisador aponta sete campos de batalha que redefinem a economia global e as alianças entre países.
Economia
A guerra econômica antecipa o conflito militar. Tarifas, controles de exportação e sanções mostram o retorno do Estado como agente central. O dólar ancora 90% dos pagamentos internacionais, amplificando o impacto de sanções.
Tecnologia
A disputa EUA versus China domina o setor. Taiwan concentra produção de 90% dos semicondutores avançados. A Nvidia controla 85% do mercado global de chips de IA, fragmentando fluxos de tecnologia.
Energia e clima
A transição para energia limpa redistribui poder. A China domina 90% das terras raras, minerais cruciais para baterias e turbinas. Quem controla esses insumos lidera o próximo ciclo econômico.
Migração
Movimentos de pessoas funcionam como pressão política. Líderes como Putin, Lukashenko e Erdogan já utilizaram migrações forçadas para influenciar decisões de outros países.
Saúde
A pandemia expôs fragilidades dos sistemas de saúde. Quase todas as nações imporam restrições a exportação de insumos médicos. Mais de 90% dos compostos ativos de alguns remédios vêm da China.
Política
A interferência em eleições tornou prática comum. Nos últimos dez anos, potências tentaram influenciar mais de 30 pleitos, atingindo milhões de eleitores. A arena doméstica vira palco de disputas globais.
Militarismo
Conflitos passam a incorporar os demais domínios. Tecnologias e alianças mudam o modo de travar guerras e o equilíbrio entre nações.
Leonard também aponta impactos para o Brasil. O país seria favorecido na mineração, segurança alimentar e fintechs, desde que se adapte às novas dinâmicas. O especialista cita o Brasil como potencial fornecedor de alimentos e de ativos minerais críticos.
Segundo o pesquisador, o Brasil possui oportunidades em minerais, cadeia agroindustrial e transição energética, além de infraestrutura de pagamentos digitais. Ele ressalta a necessidade de subir na cadeia de valor para ampliar ganhos.
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