- EUA e China avaliam um mecanismo de comércio administrado para bens não sensíveis, com cerca de US$ 30 bilhões em produtos, para reduzir tarifas sem comprometer a segurança nacional.
- O chamado Conselho de Comércio foi citado pela primeira vez pelo representante de Comércio dos EUA em março e deve ser apresentado na cúpula entre Trump e Xi.
- A nova abordagem não busca transformar o modelo econômico da China, mas estabelecer metas comerciais numéricas em setores não estratégicos, mantendo tarifas e controles sobre tecnologias sensíveis.
- Em Incheon, o secretário do Tesouro dos EUA e o vice-primeiro-ministro chinês discutiram as bases das propostas, mas não houve declarações oficiais após o encontro.
- O comércio bilateral de mercadorias caiu, com foco em energia e agricultura; tarifas chinesas sobre petróleo, LNG, carvão e carne, e tarifas dos EUA sobre itens de consumo chineses permanecem em pauta.
Washington, 13 de maio de 2026 — EUA e China avaliam avançar nesta semana com um mecanismo de comércio administrado para bens não sensíveis, visando reduzir tarifas em cerca de 30 bilhões de dólares em ambas as direções, sem comprometer segurança nacional. O objetivo é estabilizar a balança comercial entre as duas maiores economias.
O conceito, discutido inicialmente pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, em março, busca entregar um acordo na cúpula entre Trump e Xi Jinping. O formato ainda não está definido, e as propostas se concentram em metas numéricas para setores não sensíveis, mantendo tarifas amplas e controles sobre tecnologias sensíveis.
A mudança em relação aos diálogos anteriores é clara: Washington não exige que Pequim mude seu modelo econômico para se alinhar ao dos EUA. O foco fica em métricas comerciais em áreas não estratégicas, com tarifas não abrangentes para tecnologias sensíveis preservadas.
Abordagem adaptativa
Greer afirmou que o objetivo é otimizar o comércio entre os dois países, sem transformar a governança econômica da China. O mecanismo seria como um adaptador entre sistemas econômicos diferentes, segundo o representante.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, participaram de uma reunião de três horas em Incheon, na Coreia do Sul, para alinhar bases das propostas. Não houve divulgação de declarações após o encontro.
Fontes próximas às negociações sinalizam a expectativa de um acordo inicial de 30 bilhões por 30 bilhões de dólares, ainda sem definição de produtos específicos. O objetivo é abrir caminho para futuras negociações, segundo analistas.
Wendy Cutler, ex-negociadora do Escritório do Representante de Comércio dos EUA, aponta a possibilidade de uma cesta de mercadorias entre 30 a 50 bilhões de dólares para reduzir tarifas em etapas. A ideia é expandir conforme o progresso das conversas.
O comércio bilateral de mercadorias entre EUA e China caiu 29% entre 2024 e 2025, segundo dados do Departamento do Censo dos EUA, com o déficit americano recuando para US$ 202 bilhões. As autoridades norte-americanas não comentaram o andamento do mecanismo proposto.
Energia e agricultura em foco
Entre as áreas de interesse, destacam-se energia e produtos agrícolas. A China mantém tarifas sobre importações americanas, incluindo uma tarifa geral de 10%, além de tarifas existentes de nação mais favorecida. Já os EUA aplicam tarifas sobre itens chineses, que somam 7,5% em vários produtos de consumo.
As tarifas temporárias de 10% dos EUA, previstas para expirar em julho, também compõem o cenário tarifário atual. As partes buscam, com o novo mecanismo, reduzir barreiras sem prejuízo à segurança nacional ou à estabilidade econômica.
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