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Brasil pode ampliar reserva de petróleo para 23,5 bilhões de barris

Brasil pode aumentar reservas de petróleo para 23,5 bilhões de barris na próxima década, mas não perfura poços em novas fronteiras entre 2018 e 2024

Plataforma de petróleo (REUTERS/Jamil Bittar)
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  • A Abespetro estima que as reservas provadas do Brasil podem subir de 17 bilhões para 23,5 bilhões de barris na próxima década, se houver maior recuperação de reservatórios e investimentos em fronteiras como a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas, com necessidade de pelo menos US$ 30,6 bilhões por ano.
  • A entidade aponta que o Brasil não perfurou poços em áreas de nova fronteira entre 2018 e 2024, ao contrário de outros países que avançaram na exploração nessas regiões.
  • Segundo o presidente-executivo Telmo Ghiorzi, há um atraso entre perfurar e iniciar produção, atingindo cerca de dez a doze anos; atraso na autorização de licenças pode agravar o cenário, como ocorreu para o licenciamento ambiental na Foz do Amazonas.
  • Se as reservas adicionais forem confirmadas como provadas, o horizonte de produção pode se estender de 2035 para 2042; é necessário ampliar a recuperação de campos já em produção e incentivar a participação de empresas privadas.
  • A Abespetro aponta que o Brasil encerrou o último ano com cerca de 700 mil empregos diretos e indiretos no setor, retorno ao patamar de 2010, e ressalta a importância de leilões constantes de novas áreas para o PIB do setor.

O Brasil tem potencial de elevar suas reservas provadas de petróleo de 17 bilhões para 23,5 bilhões de barris na próxima década, desde que aumente a recuperação de reservatórios e invista em novas fronteiras, como a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas. A estimativa consta no Caderno Abespetro 2026, apresentado em evento no Rio de Janeiro.

Para alcançar esse patamar, a Abespetro aponta a necessidade de investimentos anuais de pelo menos US$ 30,6 bilhões. O relatório ressalta, no entanto, que não houve perfurações em áreas consideradas de nova fronteira entre 2018 e 2024, em contraste com mapas de atuação de outras nações.

A organização destaca a diferença entre países: Noruega perfurou 32 poços em fronteiras novas nesse período, enquanto Guiana e Suriname somaram 62. Regiões sul e oeste da África registraram 28 poços, ilustrando o atraso brasileiro na etapa exploratória.

Mudanças de tema: desafios para a exploração e a fronteira amazônica

Para Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da Abespetro, avançar na exploração é essencial para que a reserva tenha utilidade econômica. Levaria cerca de dez anos entre perfuração e produção de um campo, e até doze anos para autorizações de verificação de jazidas. O atraso recente no licenciamento ambiental para perfurar na Foz do Amazonas é citado como exemplo do ciclo longo.

Caso não haja retomada de perfurações, há o risco de o Brasil retornar ao status de importador de petróleo entre 10 e 15 anos, segundo Ghiorzi. Mantidas as reservas atuais de 17 bilhões de barris e uma produção de 5 milhões de barris por dia, a projeção aponta produção local até cerca de 2035; com novas reservas virando provadas, esse horizonte pode chegar a 2042.

Incremento de recuperação e participação privada

Ghiorzi defende ampliar a recuperação de reservas já em produção, além de estimular atividades na Margem Equatorial e na Pelotas. Ele também sugere maior participação de empresas privadas, citando a necessidade de abertura de campos maduros para independentes ampliarem a produção.

Questionado sobre o cenário regulatório, o executivo mencionou propostas no Congresso para tornar menos punitiva a violação de metas de conteúdo local, além de ajustes na tributação de exportação de petróleo. Há expectativa de que tais mudanças atraiam mais investimentos.

A comparação com o mercado global é destacada: no Brasil, a Petrobras detém 90,7% da participação em operações offshore, diante de situações de maior participação de empresas privadas em outras regiões, o que, segundo Ghiorzi, reforça a necessidade de maior competição para dinamizar o setor.

Em linha com o mercado de trabalho e o PIB

A Abespetro informou que o Brasil encerrou o ano passado com cerca de 700 mil empregos diretos e indiretos no setor, recuperando o nível de 2010, quando o setor atingiu patamar recorde. O grupo destaca a importância de leilões de novas áreas, dada a participação do segmento no PIB, estimada em 11%.

Ghiorzi pondera que a volatilidade de preços exige cautela, especialmente diante de choques geopolíticos, como a situação envolvendo o Irã. Ainda assim, a instituição defende que o setor continue a receber atenção regulatória e investimentos para sustentar o ritmo de recuperação e expansão.

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