- A Deezer identifica cerca de 75 mil faixas criadas por IA por dia e aposta em transparência, combate à fraude e remuneração justa para preservar o valor da música.
- O Brasil é prioridade, com 75% dos streams vindo de artistas locais e uma operação no país com cerca de 25 funcionários, focada em relações com a indústria, parcerias e marketing.
- A empresa centraliza tecnologia na França, mas dá autonomia local para adaptar produtos e ações ao contexto cultural de cada mercado.
- A IA é vista como desafio e oportunidade: rotulação de faixas geradas por IA e pagamento de royalties a catálogos treinados; há venda de ferramenta de detecção para duas sociedades de gestão na França e na Hungria, com demanda menor no Brasil.
- Planos para o Brasil incluem manter diferencial de remuneração, IA responsável, fortalecimento de parcerias e melhoria da experiência do usuário, com um segundo semestre movimentado.
A Deezer anunciou estratégias para equilibrar crescimento e sustentabilidade na indústria musical, com foco na IA, remuneração justa e expansão no Brasil. O CEO global Alexis Lanternier detalhou em entrevista exclusiva a Época NEGÓCIOS como a empresa aborda esses temas para preservar o valor da música.
Segundo Lanternier, a plataforma identifica hoje cerca de 75 mil faixas criadas por IA por dia, 4% do catálogo diário. A empresa defende transparência, combate à fraude e regras de remuneração claras para sustentar artistas e criadores.
O executivo destacou que o Brasil é peça-chave na estratégia de expansão, devido ao alto consumo de artistas locais e ao potencial de crescimento. A Deezer mantém o Brasil como seu único escritório fora da França, com cerca de 25 funcionários.
Mercado brasileiro e operação local
A equipe brasileira atua principalmente em relações com a indústria, parcerias e marketing, mantendo a tecnologia centralizada na sede europeia. Lanternier afirma que 75% dos streams no Brasil são de artistas locais, o maior índice entre os mercados da Deezer.
O CEO ressaltou que o público brasileiro valoriza conteúdo local e que a atuação no país envolve curadoria forte, relação com artistas e parcerias estratégicas. O objetivo é ampliar a presença local sem perder a visão global da empresa.
Sobre usuários, a Deezer prioriza contas pagas, com anúncios para incentivar migração para o premium, argumentando que a publicidade não sustenta a indústria musical. A estratégia busca equilíbrio entre níveis de serviço e rentabilidade.
Inteligência artificial e remuneração justa
A empresa criou ferramentas para identificar música gerada por IA com foco na prevenção de fraudes. O objetivo é rotular conteúdos de IA para que usuários e plataformas entendam o que está sendo ouvido, fortalecendo a transparência.
Lanternier afirmou que a IA pode ampliar o engajamento e permitir co-criação com artistas, desde que direitos sejam respeitados. A Deezer defende remuneração justa para catálogos usados por IA, embora reconheça limitações de controle institucional.
A solução de detecção de IA é oferecida a sociedades de gestão coletiva na França e na Hungria, com interesse de outras regiões. O objetivo é gerar receitas modestas para financiar pesquisas, sem impactar significativamente a receita total.
Perspectivas para o Brasil
A Deezer pretende manter o diferencial brasileiro com remuneração diferenciada, apoio aos artistas e maior conexão entre fãs e criadores. O segundo semestre deve trazer avanços em parcerias locais e melhorias na experiência do usuário, especialmente para quem migra de outras plataformas.
A empresa não vê mudanças radicais no cenário de IA, mas ressalta a necessidade de equilíbrio entre inovação, transparência e proteção de direitos. A meta é consolidar o Brasil como polo de atuação sustentável da Deezer na América Latina.
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