- O Brasil reaproveita 1,3% dos materiais consumidos, contra média mundial de 6,9%.
- A economia brasileira permanece linear: 98,7% dos recursos extraídos são usados uma única vez e viram resíduos.
- Em dois mil e vinte e três foram gerados 608 milhões de toneladas de resíduos, sendo 7,2% recicladas, 43% destinando-se de forma inadequada e 49,7% para aterros.
- A reciclagem concentra-se na cadeia produtiva, com resíduos da construção e demolição somando quase metade dos itens reciclados.
- Empregos circulares correspondem a 5,2% da força de trabalho (cerca de 5,1 milhões), com automóveis e atacado/varejo entre os setores mais impactados.
O Brasil reaproveita apenas 1,3% dos materiais que consome, aponta o Circularity Gap Report. O estudo é produzido pela Circular Economy e pela Deloitte, com acesso exclusivo ao recorte brasileiro pela Folha. O diagnóstico é de 2023, divulgado neste fim de semana em leitura global.
A pesquisa revela que 98,7% dos recursos retirados do ambiente no país vão parar na natureza após o uso. Em resumo, o Brasil mantém o modelo linear de produção, consumo e descarte, sem transformar descartes em insumos para novas atividades.
Dados-chave nacionais
A extração de matéria-prima virgem somou 5,2 bilhões de toneladas em 2023. Destas, 4,1 bilhões foram consumidas internamente e o restante foi exportado. Apenas 7,2% dos resíduos gerados foram reciclados, conforme o relatório.
Derivação de resíduos e uso da reciclagem
Entre os resíduos de 2023, 262 milhões de toneladas (43%) tiveram destinação inadequada, em lixões ou sem coleta adequada. Outros 302,2 milhões (49,7%) foram enviados a aterros. No geral, 608 milhões de toneladas de resíduos foram geradas no ano.
Origem e distribuição dos materiais reaproveitados
Do total reciclado, 3,7% vêm do tratamento de resíduos domésticos. Construção e demolição respondem por 48,2% dos itens reciclados, enquanto subprodutos industriais e agrícolas somam 48,1%.
Atenção aos setores de atuação
A política de reaproveitamento se concentra mais na cadeia produtiva, com exemplos como cascalho para obras e bagaço de cana convertido em energia. A circularidade é descrita como quase acidental, não sistêmica, segundo especialistas.
Pegada material e emissões
A pegada material da economia brasileira atingiu 2,2 bilhões de toneladas na alimentação, seguida pela manufatura e construção. Em relação às emissões, o país gera cerca de 1,4 bilhão de toneladas de CO2e anualmente, com 6,5 toneladas por brasileiro.
Empregos circulares
A participação de empregos circulares é de 5,2% do total, aproximadamente 5,1 milhões de trabalhadores. Mantêm-se destaques para manutenção de automóveis, comércio e varejo, além de setores como transporte e abastecimento de água.
Reflexões finais
Especialistas destacam que a baixa circularidade não resulta apenas de comportamentos individuais, mas de uma arquitetura econômica que favorece o uso intensivo de recursos. A oferta de sinais adequados ao mercado é apontada como parte da solução.
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