- O governo indiano pediu aos cidadãos que, por um ano, não comprem joias de ouro, em meio a impactos econômicos derivados do conflito no Irã.
- Três dias depois, as tarifas de importação de ouro foram aumentadas de 6% para 15%, medida disruptiva em um dos maiores mercados do mundo.
- No último ano fiscal, as importações de ouro da Índia somaram US$ 72 bilhões; o metal tem forte valor cultural, como presente de casamento e herança.
- Entre as ações, Modi pediu uso de transporte público, carona compartilhada, trabalho remoto e menos viagens ao exterior para reduzir consumo de combustível.
- Economistas discutem o possível efeito no preço mundial do ouro; muitos avaliam impacto limitado, já que o ouro está enraizado na cultura e na economia indianas.
O governo da Índia pediu aos cidadãos que não comprem ouro por um ano, citando impactos econômicos ligados ao conflito no Irã. A decisão foi comunicada após o aumento de tarifas de importação de 6% para 15%, anunciada poucos dias depois.
O país é o segundo maior mercado de ouro do mundo, tanto em joias quanto em investimento. No último ano fiscal, as importações somaram US$ 72 bilhões, equivalente a cerca de R$ 359 bilhões. O ouro tem peso cultural significativo na Índia.
A medida ocorre em meio a pressões sobre as contas externas, com a Índia importando grande parte de seu petróleo e ouro. O aumento das tarifas pretende conter o custo de divisas, diante da alta de energia e da desvalorização da rúpia.
Importações não essenciais
Segundo especialistas, mais de 90% do ouro vendido no país é importado. O metal representa parte relevante das famílias indianas, que o consideram investimento seguro em tempos de incerteza econômica.
Analistas ressaltam que o ouro não é essencial para a indústria, diferentemente do petróleo. Ainda assim, a demanda responde a fatores culturais, sazonais e a expectativas de valorização.
Qual será o impacto?
Economistas divergem sobre o efeito nos preços mundiais do ouro. Alguns veem queda na demanda indiana como possível, outro grupo aponta impacto limitado, diante de forte tradição de posse de ouro no país.
O apelo do governo é visto como inédito pela natureza drástica, dado o peso do ouro nas importações. As joalherias temem dificuldades financeiras caso a demanda caia pelo período proposto.
Um ano inteiro?
A duração de um ano para reduzir compras é alvo de debates. Analistas indicam que a reduzida demanda poderá ser compensada pela sazonalidade, mas reconhecem que o efeito a curto prazo pode variar conforme o fluxo de liquidez e consumo familiar.
O debate também envolve consequências para o setor produtivo de joias, com empresas articulando encontros com o governo para buscar soluções diante da possível redução de consumo.
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