- Agropressiona o governo por mudanças no financiamento do Plano Safra 2026/2027, citando inadimplência rural em nível histórico e endividamento acima de R$ 800 bilhões; volume de investimentos deve ser anunciado em junho.
- No Safra 2025/2026, foram anunciados R$ 516,2 bilhões para a agropecuária, mas o Tesouro equalizou juros para apenas R$ 113,8 bilhões, restante ficou no papel.
- Senadora Tereza Cristina propõe o Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) para a agricultura, com aporte de R$ 20 bilhões; objetivo é garantir crédito e alongar dívidas, podendo alavancar dezenas de bilhões.
- Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) recomenda R$ 623 bilhões para o próximo Safra, com R$ 518,2 bilhões para agricultura empresarial e R$ 104,9 bilhões para agricultura familiar, e defende orçamento plurianual estável.
- Bancada da Frente Parlamentar da Agropecuária aponta medidas como Lei do Agro 3 e reajuste do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR); ministro da Agricultura apoia, mas palavra final é de Lula; Alckmin elogia o FGI, ressaltando limitações de recursos.
Com o financiamento da safra 2026/2027 em debate, o agronegócio brasileiro pressiona o governo por mudanças estruturais, diante de inadimplência rural em patamar histórico e endividamento que supera 800 bilhões de reais. O anúncio do volume de investimentos deve ocorrer em junho, com dados já indicados pela equipe de Lula.
Segundo dados do Plano Safra 2025/2026, o governo autorizou 516,2 bilhões de reais para a agropecuária, porém o Tesouro equalizou juros para apenas 113,8 bilhões, menos de um quarto do total. O restante ficou sem efetivação prática.
Entidades do setor e a bancada ruralista alertam que a continuidade do atual modelo de subsídios pode reduzir a oferta agrícola. A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da pasta, disse que é necessária uma reformulação para atender às reais necessidades do setor.
Durante o 4º Congresso da Abramilho, em Brasília, Tereza Cristina descreveu o momento como uma “tempestade perfeita” causada por preços internacionais baixos, custos elevados e crédito restrito. Ela afirmou que o problema se agrava pela falta de garantias diante do endividamento.
Fundo garantidor de investimentos é defendido pela FPA
A Frente Parlamentar da Agropecuária defende a criação de um Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) para a agricultura, comparando com modelo utilizado na indústria. A senadora aponta que o FGI pode ampliar o acesso a crédito sem subsídios diretos.
Ao lado do ministro da Agricultura, André de Paula, e do vice-presidente Geraldo Alckmin, Tereza Cristina pediu sensibilidade do governo para avançar no tema no próximo Plano Safra. Ela é autora de emenda que prevê um aporte de 20 bilhões de reais para o fundo, já incluída no relatório da CAE do Senado.
A proposta prevê uso exclusivo como garantia de crédito para alongamento de passivos rurais. Com o risco coberto, as instituições financeiras podem reduzir taxas e estender prazos sem depender de subsídio público permanente.
CNA aponta necessidade de orçamento plurianual
A CNA defende um modelo orçamentário plurianual para as políticas agrícolas, com continuidade de execução. Em estudo, a entidade cobra 623 bilhões de reais para o próximo Plano Safra, distribuídos entre agricultura empresarial e familiar.
Para a atual gestão, o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, afirma que o financiamento está concentrado no setor privado, não no Tesouro. Ele reforça a busca por caminhos que ampliem o suporte público sem comprometer a disciplina fiscal.
Propostas da bancada para modernizar o crédito
Outra demanda da FPA é o orçamento de pelo menos 4 bilhões de reais para o PSR, o programa de subvenção ao prêmio do seguro rural. O objetivo é reduzir parte dos custos do seguro contratado pelo produtor.
A bancada também defende a chamada Lei do Agro 3, que atualizaria instrumentos como a CPR e ampliaria regras de subvenção privada. Segundo a FPA, isso poderia ampliar o financiamento rural em mais de 800 bilhões de reais via mercado, reduzindo dependência de recursos públicos.
Avaliação do Ministério da Agricultura
O ministro André de Paula afirmou apoiar as demandas do setor, mas ressaltou que a decisão final cabe ao presidente Lula. Ele destacou que o objetivo é apresentar um Plano Safra com juros que caibam no bolso do produtor.
O vice-presidente Alckmin participou do debate e citou a experiência positiva com FGI no Rio Grande do Sul, reconhecendo, porém, que o histórico de planos safra priorizou o Pronaf, deixando médios e grandes produtores menos assistidos.
O jornalista viajou a convite da Abramilho. O pacote de propostas permanece em negociação, com foco em ampliar elegibilidade de crédito e reduzir custos para o produtor, sem abrir mão de responsabilidade fiscal.
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