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Brasil precisa se preparar para centros de dados, diz CEO da Hitachi

Brasil precisa ampliar a transmissão para atrair data centers e IA, diz Hitachi Energy; gargalos elétricos freiam investimentos, mesmo com sobra de energia

Executivo afirmou que país precisa ampliar transmissão e garantir demanda para atrair indústrias eletrointensivas
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  • Glauco Freitas, presidente da Hitachi Energy Brasil, afirma que o Brasil tem sobreoferta de energia renovável, mas não infraestrutura suficiente para absorver grandes data centers e indústrias eletrointensivas.
  • Segundo ele, entraves técnicos e regulatórios afetam investimentos em IA e hidrogênio verde, criando paradoxo entre produção abundante no Norte/Nordeste e dificuldade de escoamento para o Sul/Sudeste.
  • A transmissão nacional não acompanha o ritmo da geração e da demanda, levando parte da energia a ficar sem uso por falta de escoamento (curtailment).
  • Há uma “janela de oportunidades” para atrair data centers e indústrias ligadas à IA, mas investimentos podem migrar se não houver planejamento de infraestrutura, incluindo cabo submarino, espaço e energia.
  • A Hitachi Energy anuncia investimento de US$ 270 milhões no Brasil até 2027, com expansão da fábrica em Guarulhos e nova unidade em Pindamonhangaba, buscando ampliar a capacidade produtiva em 120%.

Executivo da Hitachi Energy Brasil afirma que o Brasil tem sobra de energia renovável, mas falta infraestrutura para abrigar grandes data centers e indústrias eletrointensivas. A fala ocorreu em Brasília, na entrevista ao Poder360 gravada em 29 de abril de 2026.

Glauco Freitas, presidente da empresa no Brasil, aponta entraves técnicos e regulatórios que freiam investimentos em IA e hidrogênio verde. Segundo ele, há energia disponível no Norte e Nordeste, porém a transmissão não atende à demanda dos polos consumidores do Sul e Sudeste.

Aponte o desafio: a expansão da geração cresceu mais de 30% nos últimos seis anos, com solar e eólica, mas a transmissão não acompanhou esse ritmo. Parte da energia chega a deixar de ser aproveitada por restrições na rede, em prática chamada curtailment.

Segundo Freitas, há uma janela de oportunidades para atrair data centers e indústrias ligadas à IA, mas investimentos podem ir para outros mercados. Ele reforça que o setor precisa de cabo submarino, espaço físico e energia estável.

O executivo também destaca a necessidade de rapidez de leilões e de uma visão integrada de infraestrutura. A expansão de energia, logística portuária e aeroportuária deve andar junto do desenvolvimento regulatório para atrair grandes projetos.

Em relação aos impactos globais, Freitas afirma que o crescimento da IA elevará o consumo de eletricidade. Ele cita a previsão de que a eletricidade passe a representar metade da matriz energética mundial até 2035, impulsionada por data centers e descarbonização.

A Hitachi Energy mantém investimentos no Brasil. São US$ 270 milhões previstos até 2027, o terceiro maior aporte global da companhia. Parte desse recurso será destinada à ampliação da fábrica de Guarulhos e a uma nova unidade em Pindamonhangaba.

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