- Brasil recicla apenas 4% do lixo total, sendo o país campeão na reciclagem de latas de alumínio (97% em 2024), porém com baixa performance em plástico e outros materiais.
- Decreto federal publicado estabelece metas obrigatórias: 32% de reciclagem até 2026 e 50% até 2040; para reutilização em embalagens, o objetivo é passar de 22% para 40% no mesmo período.
- Natura, Boticário, Unilever e Coca‑Cola estão investindo em economia circular, conectando cooperativas de catadores a fábricas de reciclagem e buscando fechar o ciclo dos materiais.
- A Unilever já superou a meta de logística reversa, com 115% do peso de embalagens coletado/processado desde 2024, e 37% do plástico nas embalagens já reciclado.
- Projetos e avanços incluem bairros e comunidades ribeirinhas, ecobarreiras em Belém, lojas que utilizam plástico reciclado em mobiliário, e pagamento direto a catadores via redes como Estação Preço de Fábrica.
O Brasil ainda recicla pouco, apesar de avançar em instituições públicas. Em 2024, 97% das latas de alumínio são reaproveitadas, mas apenas 4% do lixo total é reciclado. O governo federal criou metas nacionais para elevar esse índice a 32% em 2026 e 50% até 2040, buscando ampliar a reutilização de materiais e reduzir o uso de plástico virgem.
A EXAME ouviu Coca-Cola, Natura, Boticário e Unilever, gigantes da embalagem, que atuam em programas de logística reversa e economia circular. O objetivo comum é fechar o ciclo dos materiais na cadeia produtiva, com foco em inclusão social e viabilidade econômica, diante de custos mais altos de resina reciclada.
As estratégias das gigantes
A Natura aposta em um portfólio circular com iniciativas que envolvem cooperativas, reciclagem e uso de materiais reciclados. A meta é ter 100% das embalagens reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até 2030, com ações como o projeto Rios Vivo e ecobarreiras em Belém.
O Boticário transforma resíduos em mobiliário de loja sustentável. O programa Boti Recicla chegou a 4,5 mil pontos de coleta e 100 lojas utilizam plástico reciclado em mobiliário, com metas de ampliar reciclagem para 45% das embalagens até 2030.
A Unilever já superou a meta de logística reversa, processando 115% do peso das embalagens vendidas no Brasil desde 2024. Em 2024, 37% do plástico usado já era reciclado, com iniciativas de remuneração a catadores e parcerias de longo prazo para ampliar a cadeia.
Coca-Cola e a rede de reciclagem
A Coca-Cola mantém o Sistema Coca-Cola com 33 fábricas e atuação em milhões de pontos de venda. A iniciativa SustentaPET, ligada à Coca-Cola FEMSA Brasil, já coletou mais de 180 mil toneladas de PET, conectando 187 fornecedores.
No Norte e Nordeste, a Solar Coca-Cola avança rumo à neutralidade de PET em 2025 em estados como Pará e Ceará, com o projeto Recicla Solar envolvendo várias parcerias para reciclagem e construção de uma nova fábrica de reciclagem em Ananindeua.
Desafios comuns e perspectivas
O principal gargalo permanece: o custo da resina reciclada é maior que o virgem, dificultando a competitividade da reciclagem. Falta gestão eficiente da coleta seletiva e mais apoio a cooperativas, segundo especialistas.
O decreto federal, ao estabelecer metas claros, pode acelerar o mercado da resina reciclada, intensificar a participação de catadores e ampliar a rastreabilidade dos impactos. O acompanhamento é visto como crucial para evitar fraudes.
Um laboratório em Belém e além
Em Belém, a Natura opera a ecobarreira e o projeto Benevides Recicla, que envolve a cooperação com a prefeitura e comunidades locais para coletar resíduos plásticos, com foco em reduzir a contaminação de rios.
A visão compartilhada é transformar o desafio ambiental em oportunidade social, com inclusão de catadores no centro das ações. A COP29/30 é apresentada como oportunidade para demonstrar esse modelo entre sustentabilidade, inovação e impacto social.
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