- Em Ribeira, região de Cabaceiras (Paraíba), a cooperativa Arteza reúne 28 famílias desde 1998 para valorizar o couro de bode, prática com mais de duzentos anos.
- A criação da cooperativa nasceu da necessidade de unir moradores para manter a tradição frente ao preconceito e à dificuldade de vender o couro isoladamente.
- O processo de curtimento dura cerca de trinta dias e, após curso em Campina Grande, adotou técnicas para reduzir o odor, elevando a aceitação do produto.
- Hoje a produção mensal da Arteza está em cerca de vinte e seis mil peles de bode, além de quarenta e cinco mil quilos de couro de boi, com itens artesanais como bolsas, sandálias e cintos.
- O modelo cooperativo fortalece a região e inspira as próximas gerações, consolidando a cultura local e gerando sustento para as famílias.
A cooperativa Arteza, criada em 1998 na região de Ribeira, Paraíba, uniu famílias de curtidores de couro de bode para manter vivo um ofício com mais de 200 anos de tradição. O movimento ganhou força após a transformação do trabalho artesanal em modelo coletivo.
José Carlos Castro, conhecido como Carlinhos, 70 anos, conta que a união entre moradores foi decisiva para a sobrevivência do curtume na região. O preconceito com o odor do couro dificultava o acesso ao mercado, mas a cooperação mudou o cenário.
A mudança veio após um curso em Campina Grande, que ensinou técnicas para reduzir o odor no curtimento. Ao retornar, Carlinhos abriu espaço para que outras famílias participassem do projeto, criando, então, a cooperativa Arteza.
Formação e impacto
Em pouco tempo, a adesão foi crescente: 28 famílias se organizaram para criar a cooperativa, que hoje é referência nacional pelo trabalho artesanal. A produção mensal aumentou de 6 mil para 26 mil peles de bode, além de 45 mil kg de couro de boi.
O processo de curtimento dura cerca de 30 dias e, atualmente, utiliza casca de angico para reduzir odores. Rejeitos do processo são reaproveitados como adubo, fortalecendo a sustentabilidade da atividade.
Angelo Mácio Gomes Meira, presidente da Arteza, destaca a valorização dos trabalhadores. O curtume passou de uma prática marginal para uma atividade que gera autoestima e renda estável para a comunidade, antes marcada pelo preconceito.
Legado familiar e mercado
O filho de Carlinhos, Lucas Araújo Castro, já foi presidente e hoje é diretor administrativo-financeiro. Formado em administração, ele retornou a Ribeira para fomentar o cooperativismo. Segundo Lucas, unir as famílias preserva a cultura local.
Para Lucas, o valor do modelo está na manutenção da tradição e na história de cada família, além do retorno financeiro. Ele afirma que o cooperativismo protege a identidade da região.
A artesã Alessandra Sousa, 26 anos, iniciou no ofício aos 12 e hoje trabalha na produção de bolsas, sandálias e cintos. Tarcísio Andrade, 31, também integra a equipe, destacando a possibilidade de sustento familiar por meio do artesanato.
Panorama estadual
Segundo Ana Margarida, da OCB-PB, o estado tem 78 cooperativas com mais de 114 mil cooperados, gerando 4.302 empregos. A organização oferece consultorias e capacitações para fortalecer cada modelo cooperativo.
Entre na conversa da comunidade