- Douglas Silva de Oliveira Azara, de 25 anos, é apontado como dono da Azara Capital, que afirmou ter comprado a Naskar Gestão e outras empresas do grupo por R$ 1,2 bilhão.
- O grupo, que atua em setores variados (transporte, fazendas, postos de combustíveis e pagamentos), inclui o Banco Phoenix (Jabuti Capital Venture) e soma capital de cerca de R$ 2,4 bilhões.
- A Naskar acumula recursos congelados de aproximadamente 2,7 mil investidores, correspondentes a R$ 850 milhões, em contratos de mútuo.
- Segundo o porta-voz, o reembolso integral aos investidores é 100% factível, após um processo de due diligence e uso de ativos pessoais dos antigos sócios na estrutura de liquidação.
- A empresa tem processo no Tribunal de São Paulo sobre o Naskar Bank; há ações envolvendo a Nexco relacionada a contratos de investimentos de R$ 288 milhões.
Douglas Azara, de 25 anos, é o principal dirigente da Azara Capital, empresa que afirma ter adquirido a Naskar Gestão e outras companhias do grupo por 1,2 bilhão de reais. O empresário figura no quadro societário de mais de uma dezena de firmas, que atuam em setores variados.
Entre os ativos do grupo, constam transportes, fazendas, postos de combustíveis e uma empresa de pagamentos associada ao Banco Phoenix, que funciona sob o nome fantasia Jabuti Capital Venture, criada em janeiro de 2024. O total de capital informado pelas companhias é de cerca de 2,4 bilhões de reais.
A Naskar, antes de o negócio ser anunciado, enfrentava acusações de desvio de recursos de investidores. Cerca de 2,7 mil clientes teriam tido 850 milhões de reais congelados em contratos de mútuo. A operação envolveu uma estrutura de compensação de dívidas e ativos.
Segundo Hadhasse Sardi, gerente administrativo e financeiro do Banco Phoenix, o acordo foi acompanhado por uma due diligence rigorosa. A assessoria de imprensa da Naskar indicou que esclarecimentos sobre o destino dos recursos cabem a Azara, novo proprietário.
O porta-voz afirmou que a transação foi liquidada integralmente por meio de abatimento de obrigações, assunção de compromissos com investidores, dação de ativos e transferência de criptoativos. A devolução aos investidores seria, segundo ele, 100% factível.
Sardi afirmou não haver relação prévia entre Azara e os antigos sócios, com quem não manteve contato durante as tratativas. O planejamento inicial prevê mapear os passivos a serem devolvidos nos próximos dias e direcionar recursos para os reembolsos, em ordem cronológica.
A Naskar ficou conhecida por suposto uso de um algoritmo que prometia ganhos acima da média do mercado, entre 1,5% e 2% ao mês, e distribuía rendimentos mensais até suspender pagamentos neste mês. Os sócios eram Rogério Vieira, Marcelo Lirano Arantes e Maurício Volpato, o Maurício Jahu, ex-jogador da seleção brasileira.
Questionado sobre a sinergia com a Jabuti Capital, Azara disse que todas as operações são financiadas com capital próprio, sem aportes de terceiros, e destacando a atuação do grupo com foco no mercado financeiro. Ele também confirmou envio de proposta para adquirir os ativos e passivos do Master, mas não houve retorno até o momento.
No Brasil, o Jabuti opera em infraestrutura de banking-as-a-service, em parceria com instituições autorizadas, enquanto aguarda licença de instituição de pagamento junto ao Banco Central. Nos EUA, onde ficaria a sede da Azara Capital em Miami, as operações são registradas como Money Services Business.
Sobre as falhas de funcionamento de contas no site da Azara e do Banco Phoenix, o porta-voz alegou suspensão temporária por aumento atípico de acessos após as notícias. Ele prometeu atuação diligente em todas as demandas judiciais e administrativas.
A Naskar responde a um inquérito da Justiça de São Paulo sobre o Naskar Bank, investigando crime contra a economia popular. A Nexco moveu ação representando clientes que investiram 288 milhões de reais. O caso tramita com sigilo no Ministério Público.
No Paraná, a defesa da Naskar sustentou que o Naskar Bank atuava sob a Lei 12.865/2013, dissociando agentes externos, e a denúncia de crime contra a economia popular foi arquivada. Os recursos integralizados por Azara teriam origem familiar e herança, com diversificação em criptoativos entre 2016 e 2022.
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