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Mercado ainda não antecipa R$ 1,5 bi de EBITDA na Gerdau

Gerdau estima destravar até quase R$ 1,5 bilhão/ano em EBITDA com três projetos; porém ação negocia a 82% do valor patrimonial

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  • Três projetos aprovados em 2021 e 2022 podem, quando operarem a pleno, gerar mais de R$ 1 bilhão, chegando a quase R$ 1,5 bilhão por ano de EBITDA adicional.
  • No primeiro trimestre de 2026, a Gerdau teve EBITDA de R$ 3 bilhões, com 75% vindo das operações na América do Norte e 25% da combinação Brasil e América do Sul; o capex do período foi de R$ 1,1 bilhão.
  • O guidance para 2026 foi reduzido a cerca de R$ 4,7 bilhões; segundo o CFO, os grandes projetos estão quase prontos e o fluxo de caixa remanescente deve retornar valor aos acionistas.
  • A ação está descontada em relação ao valor patrimonial: GGBR4 near R$ 23, patrimônio por ação de R$ 27,27, com P/VP em torno de 0,82. A XP manteve recomendação de compra com preço-alvo de R$ 25.
  • No Brasil, a margem de EBITDA ficou em 9% no trimestre, sob pressão de importação de aço, principalmente da China, que exporta parcela relevante da demanda global.

A Gerdau vive um momento de inflexão: investimentos feitos nos últimos ciclos estão chegando ao fim, enquanto os resultados começam a aparecer. O CFO Rafael Japur afirma que há caixa represado pronto para ser destravado conforme três projetos avançam.

Segundo Japur, os três projetos aprovados em 2021 e 2022 podem, quando operarem plenamente, gerar mais de R$ 1 bilhão, ou quase R$ 1,5 bilhão/ano de Ebitda adicional. O foco está no complexo de Miguel Burnier, em Minas Gerais.

Em 2026, a empresa reduziu o guidance de capex para cerca de R$ 4,7 bilhões, após um ciclo pesado de desembolso. O primeiro trimestre teve Ebitda de R$ 3 bilhões, avanço de 25% ante o trimestre anterior.

O que está em jogo

A relação entre preço das ações e valor patrimonial por ação (P/VP) ganha relevância. GGBR4 opera perto de R$ 23, com PV por ação de R$ 27,27, implicando ~18% de desconto ao patrimônio. O indicador P/VP fica em ~0,82.

“Achei o preço da ação abaixo do patrimonial por ação, o que sugere desalinhamento de valor”, disse Japur. A XP manteve recomendação de compra com alvo de R$ 25 para 2026, ainda inferior ao valor justo estimado pela empresa.

Desafio no Brasil e cenário externo

A margem Ebitda da operação brasileira ficou em 9% no trimestre, com capex significativo para manter operações, mais impostos e juros altos. O principal vilão são as aço importado, principalmente da China.

Japur aponta que a China exporta mais de 100 milhões de toneladas por ano, o que supera o consumo de todo o mercado norte-americano. Com superoferta global e preços de dumping, há pressão para recuar margens ou reduzir produção.

Desempenho recente e visão de mercado

A empresa tem valor de mercado de cerca de R$ 43,75 bilhões na B3. Ações preferenciais acumulam alta de 13,8% neste ano, refletindo, segundo a gestão, o retrabalho de capex e o potencial de caixa para acionistas.

O fluxo de caixa livre, com o fim do ciclo de grandes investimentos, deve favorecer retornos aos acionistas, segundo Japur. A leitura é de que o patamar de valor da empresa pode ser subestimado pelo mercado.

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