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Banco Master lidera comissão no Senado; Galípolo admite limites da supervisão BC

Banco Central reconhece limitações de supervisão pela redução de servidores e pela tecnologia, em debate sobre o Banco Master

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, fala em reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, no Congresso Nacional, em Brasília (DF)
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  • O Banco Central afirmou que o problema do Banco Master não era a captação com garantia do FGC, e sim o uso do dinheiro captado em ativos de maior risco.
  • Galípolo descreveu um modelo de negócios com descasamento entre passivos e ativos, citando compras de precatórios, ativos estressados e estruturas semelhantes a hedge funds.
  • O BC implementou medidas como aumento das contribuições ao FGC, esterilização de excedentes em títulos públicos e limites para ativos lastro de depósitos garantidos.
  • Senadores cobraram a velocidade de crescimento do Master e o impacto no FGC; Galípolo disse que a supervisão enfrenta desafios permanentes e que regras geram reações no sistema.
  • O BC indicou dificuldades estruturais para fiscalização diante da redução de servidores (aproximadamente 1.200 nos últimos dez anos) e da falta de tecnologia, especialmente com o Pix operando 24/7.

O Banco Central (BC) foi o centro de atenção no Senado nesta terça-feira, 19, em sessão sobre o Banco Master. O tema manteve o foco em falhas de supervisão, riscos ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a relação entre dirigentes do banco e membros do BC.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que o problema do Master não era a captação com garantia do FGC, e sim o destino do dinheiro captado. O BC identificou um modelo de negócios com descompasso entre passivos e ativos, investindo recursos de varejo em ativos de risco.

Foram citadas medidas para conter esse modelo. Aumentos de contribuição ao FGC para bancos com alta captação garantida, esterilização de excedentes em títulos públicos e limites para ativos lastro de depósitos cobertos foram apresentados como respostas do BC.

Contorno regulatório e medidas

Galípolo explicou que, ao ultrapassar certo patamar de captação, o excesso deve ir para títulos públicos, criando uma arbitragem negativa que desencoraja esse tipo de operação. Segundo ele, nenhuma instituição deve captar caro para aplicar barato.

Durante a sessão, senadores cobraram a velocidade de crescimento do Master e o eventual efeito no FGC. Questionaram se o BC falhou ao permitir expansão da instituição, ao que o presidente respondeu que a supervisão é um desafio permanente, com o sistema encontrando formas de contornar regras.

Estrutura e supervisão no BC

O BC também ressaltou a necessidade de separar responsabilização de gestores da preservação da instituição. Em relação ao Banco Voiter e a mudanças societárias do grupo Master, afirmou que a liquidação não pode punir controladores. O mandato do BC é reduzir danos ao público e ao sistema, com responsabilização a cargo das esferas criminal e administrativa.

Galípolo informou ainda que houve identificação de indícios de irregularidades no grupo em período recorde, com encaminhamento dessas informações ao Ministério Público dentro de seis meses. A sessão tratou, ainda, de limitações do BC devido à redução de pessoal e à falta de tecnologia.

O presidente ressaltou que o sistema financeiro brasileiro demanda investimentos em tecnologia, inteligência artificial e supervisão automatizada, especialmente por conta do Pix, ativo de pagamentos 24 horas por dia, 7 dias por semana. A instituição enfrenta déficit de servidores, segundo ele, o que complica a fiscalização.

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