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El Niño pode elevar preços internacionais do agro em 2026, diz especialista

El Niño pode elevar a produção de grãos no Brasil, mas aumenta riscos climáticos regionais e pressiona os preços internacionais de commodities

Na imagem, colheita de grãos em produção rural
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  • O El Niño tende a ocorrer em 2026, com 82% de probabilidade de formação entre maio e julho, subindo para 92% e 98% nos meses seguintes.
  • Pode favorecer a produção de grãos em parte das regiões produtoras, mas elevar o risco de eventos climáticos extremos no Sul do Brasil.
  • No mercado de commodities, clima mais favorável a grandes produtores tende a pressionar os preços para baixo; quedas podem ocorrer se a produção global aumentar.
  • No Brasil, o impacto agregado pode ser mais brando, mas há risco de chuvas excessivas no Sul e de enchentes localizadas, com atenção para Rio Grande do Sul e Argentina.
  • Para a soja, milho e café, os efeitos são assimétricos: soja pode ter preços pressionados pela maior oferta global; milho pode ter balanço mais complexo; café pode sofrer com seca em outros países produtores, elevando preços globais.

O El Niño pode trazer efeitos ambíguos ao agronegócio brasileiro, segundo Rafael Bulascoschi, analista de inteligência de mercado da StoneX. O fenômeno pode favorecer a produção de grãos em algumas regiões e, ao mesmo tempo, pressionar preços internacionais e aumentar o risco de eventos climáticos extremos no Sul do país.

Dados da NOAA indicam alta probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho de 2026, com 82% de chance. Nas etapas seguintes, as probabilidades sobem para 92% e 98%, a partir de agosto. Há ainda 3% a 35% de chance do evento ser classificado como forte, e até 37% para muito forte.

IMPACTO NAS COMMODITIES AGRÁRIAS

A mudança no regime de chuvas e temperaturas pode afetar a oferta global de grãos, influenciando preços. Em unidades produtoras que se beneficiam, a produção tende a crescer; em zonas com secas ou excesso de precipitação, a produtividade pode cair. O equilíbrio entre oferta e demanda determina o movimento dos preços.

Bulascoschi afirma que, para o Brasil, a preocupação principal pode ser a direção dos preços de grãos, não necessariamente uma queda expressiva na produtividade. Segundo ele, o El Niño costuma favorecer a produção em EUA, hoje líder mundial em milho e soja, o que tende a pressionar os preços internacionais para baixo.

REGIÕES E RISCOS NO BRASIL

No Sul, o El Niño tende a elevar o risco de chuvas intensas e enchentes localizadas, aumentando incertezas. Já estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás podem registrar variações menos severas na produtividade de soja e milho. A região Sul, porém, pode enfrentar eventos de precipitação acima da média.

Além disso, a Argentina, importante fornecedora de grãos, entra no mapa de atenção. Em anos de El Niño, a chuva mais intensa em algumas áreas pode elevar a oferta global, enquanto enchentes e perdas pontuais surgem em outras.

SOJA E MILHO

Para a soja, a concentração de produção entre Brasil, Estados Unidos e Argentina torna o cenário sensível. Condições mais chuvosas no Brasil e na Argentina costumam impactar a oferta global, enquanto problemas climáticos nos EUA podem apertar o balanço. O efeito sobre os preços tende a depender do regional.

No milho, a situação é mais complexa. Regiões sul-americanas podem ter safras beneficiadas, mas o excesso de chuvas permanece como fator de risco. Nos EUA, a área plantada menor eleva a vulnerabilidade externa às condições climáticas.

CAFÉ E OUTROS CULTIVOS

O café pode sentir impactos fora do Brasil, com Vietnã e Indonésia, grandes produtores, mais sensíveis a secas. Isso pode reduzir a oferta mundial e favorecer preços. No Brasil, o cenário para 2026 é, por ora, visto como positivo, com expectativa de safra robusta, sujeita a variações de intensidade do El Niño.

Caso o fenômeno se confirme com intensidade acima do usual, podem surgir impactos mais amplos e menos previsíveis. O analista ressalta que, mesmo com potencial de elevação na produção, custos como fertilizantes e diesel pressionam margens dos produtores.

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