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Fatia da dívida atrelada à Selic pode dificultar BC, diz Galípolo

Galípolo afirma que alta participação de títulos atrelados à Selic na dívida pode dificultar o trabalho do Banco Central para conter a inflação

Presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo, participa de uma coletiva de imprensa na sede do Banco Central do Brasil em Brasília, 26 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado
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  • Galípolo afirmou que metade da dívida soberana brasileira está ligada à Selic, o que aumenta a renda dos detentores de LFT quando a taxa sobe e pode dificultar o trabalho do BC para controlar a inflação.
  • Em março, 47,7% da dívida federal era atrelada à Selic; a taxa está em 14,50% ao ano e o BC admite manter um aperto monetário com cortes graduais.
  • O presidente do BC destacou resiliência econômica, desemprego baixo e ganhos salariais acima da inflação, mas disse que a demanda aquecida pode exigir juros mais restritivos para cumprir a meta.
  • Choques de oferta, como o petróleo pela guerra no Oriente Médio e o El Niño, ajudam a elevar as expectativas de inflação para 2028, segundo projeções do Focus.
  • Galípolo pediu autonomia financeira do BC, informou que o órgão perdeu cerca de mil300 servidores nos últimos dez anos e alertou que, com poucos recursos, fica difícil fiscalizar tudo.

Em audiência na CAE do Senado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a elevada participação de títulos atrelados à Selic na dívida pública pode dificultar o trabalho da autarquia no controle da inflação. O tema suscita discussões sobre a condução da política monetária em cenário de juros altos.

Segundo dados de março, metade da dívida federal é atrelada à Selic. A taxa básica está em 14,50% ao ano, com o BC mantendo um ciclo de cortes graduais. Galípolo destacou que a remuneração dos detentores de LFT aumenta conforme a Selic sobe, influenciando o comportamento da atividade econômica.

Impacto na política monetária

Em sua fala, o presidente do BC ressaltou que o peso da dívida ligada à Selic pode reduzir a eficácia de medidas para arrefecer a demanda e reduzir a inflação rumo à meta. A instituição considera o cenário de resiliência econômica, baixo desemprego e crescimento real de rendimentos, embora com juros restritivos.

Perspectivas e projeções

Galípolo informou que choques de oferta, como o petróleo e o El Niño, elevam as expectativas de inflação no curto prazo. Observa ainda que projeções para 2028 registram alta, o que não deveria ocorrer apenas por choques transitórios. O Focus aponta inflação de 4,92% para 2026 e 4,00% para 2027.

Autonomia do BC e fiscalização

O dirigente defendeu a autonomia financeira do BC, destacando queda de cerca de 1.300 servidores nos últimos dez anos e o aumento de instituições sob supervisão. Com recursos limitados, o BC pode ter que priorizar atividades, levando a receios sobre a capacidade de fiscalização plena.

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