- Cerca de 48 mil trabalhadores da Samsung ameaçam uma greve de 18 dias, para pressionar mudanças nos bônus.
- O sindicato quer acabar com o teto de bônus de 50% do salário anual e criar um pool de bônus equivalente a 15% do lucro operacional anual, com validade além deste ano.
- A Samsung propôs bônus únicos para este ano entre 50% e 100% para áreas de chips lógicos, mantendo o teto e não tornando as mudanças vinculantes.
- A paralisação pode afetar fortemente o fornecimento de memórias, em um momento de gargalos globais de chips, com a Samsung respondendo a pressões de produção de DRAM e NAND.
- Um tribunal concedeu parcialmente uma liminar, exigindo níveis essenciais de pessoal, estimando que 7.087 trabalhadores deverão manter-se em serviço mesmo em caso de greve.
O maior movimento sindical já registrado entre trabalhadores da Samsung Electronics ameaça paralisar linhas de produção por 18 dias, a partir de quinta-feira, em meio a um conflito sobre bonificações. Quase 48 mil funcionários, sobretudo da área de chips, participariam da greve, segundo relatos de sindicatos. A paralisação decorre de uma disputa sobre remuneração e incentivos, em um momento de escassez global de memória.
O sindicato reivindica o fim de um teto de bonificação de 50% do salário anual e a criação de um pool de bônus equivalente a 15% do lucro operacional anual, com validade além deste ano. A Samsung, entretanto, ofereceu bonificações variando de 50% a 100% para setores de chips lógicos, mas apenas como pagamento único neste ano e sem abolir o teto de bonificação.
A ausência de chips no mercado global, impulsionada pela demanda de IA, torna o movimento relevante para a cadeia produtiva internacional. A Samsung domina o mercado mundial de memória DRAM, respondendo por cerca de 36% da produção global no ano passado, com a SK Hynix operando como principal concorrente. Analistas estimam que a greve de 18 dias pode reduzir em 3% a 4% o fornecimento global de DRAM e 2% a 3% de NAND, elevando pressões sobre preços.
O cenário envolve também desdobramentos legais: uma decisão judicial parcial obrigou a manutenção de níveis mínimos de pessoal em algumas fábricas, exigindo que 7.087 trabalhadores se apresentem, mesmo em caso de greve. As fábricas de chips da Samsung na Coreia operam 24 horas, em três turnos, em locais como Pyeongtaek e Hwaseong.
Especialistas advertem que o impacto pode se estender para além da indústria de semicondutores, afetando exportações sul-coreanas, que representam parte relevante da economia. Em um cenário extremo, autoridades estimaram que até 30 trilhões de won poderiam deixar de ser gerados pela produção de chips, com efeitos indesejados sobre o crescimento econômico do país.
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