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Agora não é se as empresas devem adotar IA, e sim quão rápido, diz Jeff Clarke

Dell afirma que a IA saiu do debate e virou operadora, exigindo dados conectados em tempo real e infraestrutura de IA distribuída

Jeff Clarke, COO da Dell Technologies — Foto: Thâmara Kaoru/Época NEGÓCIOS
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  • Durante o Dell Technologies World, em Las Vegas, Jeff Clarke afirmou que a discussão não é mais se adotar IA, e sim quão rápido isso pode ser feito.
  • Clarke disse que a velocidade da evolução da IA superou as expectativas, com modelos, software e hardware evoluindo mais rápido do que se previa, e que o que parecia levar três anos aconteceu em menos de doze meses.
  • Segundo ele, a IA deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio e passou a operar dentro das organizações, executando respostas, gerenciando exceções e ampliando soluções.
  • Ele apontou três sinais: o preço por token cai cerca de oitenta por cento ao ano enquanto o consumo sobe cerca de trezentos e vinte vezes; a produtividade é muito concentrada, com poucos usuários gerando a maior parte do valor; e tarefas que antes demoravam dias passam a levar minutos ou horas.
  • Clarke reforçou que as empresas vencedoras serão aquelas que romperão velhos modelos, reorganizarão dados, computação e segurança para suportar agentes autônomos, criando uma infraestrutura de IA distribuída e garantindo a segurança de sistemas financeiros e ERPs.

A inteligência artificial deixou de ser apenas um experimento corporativo e passou a ocupar posição central nas operações das empresas. No palco do Dell Technologies World, em Las Vegas, Jeff Clarke, vice-chairman e chief operating officer da Dell, disse que o debate não é mais se as organizações devem adotar IA, e sim a velocidade da implementação.

Segundo Clarke, a evolução de modelos, softwares e hardware ocorreu mais rápido do que o esperado. Ele destacou que rascunhos de três anos para adoção se mostraram viáveis em menos de 12 meses, impulsionando mudanças profundas na estratégia de tecnologia das empresas.

Ele comparou a trajetória com ondas tecnológicas anteriores, reconhecendo que a IA representa uma transformação ainda mais profunda. Clarke afirmou que a era digital está sendo moldada por uma nova etapa da inovação, com impactos significativos no ambiente corporativo.

Da assistente ao sistema operacional

O executivo explicou que a IA deixou de atuar apenas como apoio e passou a desempenhar funções completas. Ela hoje executa respostas, gerencia exceções e amplia a capacidade de resolução.

Clarke descreveu três mudanças observadas pelas equipes da Dell. A primeira é o custo dos tokens versus o ritmo de consumo: o preço tende a cair, mas a demanda cresce muito, o que ele comparou a padrões observados em ondas anteriores de tecnologia.

A segunda mudança envolve a produtividade, que aparece concentrada entre poucos operadores. Em muitas companhias, apenas uma parcela reduzida de trabalhadores gera a maior parte do valor, especialmente com agentes para pesquisa, programação e análise. Ele sugeriu medir ROI pela atuação dos superusuários.

A terceira transformação está na escala do trabalho intelectual: tarefas que antes levavam dias passam a exigir minutos ou horas, com agentes capazes de realizar atividades complexas. Clarke afirmou que o impacto não é marginal, mas transformador para estruturas organizacionais.

Desafios de dados, segurança e infraestrutura

Clarke enfatizou que as empresas vencedoras da próxima década serão as movidas pela IA, destacando que não é necessário nascer na era da IA para participar da mudança. A decisão, segundo ele, é operacional: romper com velhos métodos e construir de forma nova.

Entre as ações recomendadas, ele apontou a necessidade de reorganizar dados, computação e segurança para suportar agentes autônomos em larga escala. Disse que a ideia é colocar a IA nos dados, não apenas mover dados para a IA, para viabilizar conectividade em tempo real.

O executivo também abordou a exigência de infraestrutura de IA distribuída. Treinamento e inferência exigem cargas de trabalho distintas e maior capacidade de computação, com modelos de raciocínio e agentes consumindo mais recursos que na era da internet.

Outro ponto citado foi a segurança: agentes atuando em nome da empresa requerem rastreabilidade de ações, justificativas e mecanismos de reversão para eventuais erros ou abusos. Clarke ressaltou que a IA já é uma mudança imediata nas operações empresariais.

A nota de cobertura oficial acrescenta que a jornalista viajou a convite da Dell para a realização da apuração.

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